PLMJ assessora Davidson Kempner e ECS em joint venture logística na Península Ibérica

A equipa foi coordenada pela equipa de Imobiliário e Turismo, liderada pelo sócio Ricardo Reigada Pereira, com o apoio de Diogo Neves, Tamara Martins da Fonseca e Felipe Cunha

A PLMJ assessorou a gestora de ativos norte-americana Davidson Kempner e a sociedade de private equity portuguesa ECS Capital na criação de uma joint venture com a Magna Industrial, promotora e construtora ibérica especializada em ativos logísticos, industriais e infraestruturas.

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A assessoria da PLMJ foi coordenada pela equipa de Imobiliário e Turismo, liderada pelo sócio Ricardo Reigada Pereira, com o apoio dos advogados Diogo Neves, Tamara Martins da Fonseca e Felipe Cunha, da mesma equipa. A operação envolveu ainda uma equipa multidisciplinar que incluiu a áreas de Urbanismo e Ordenamento do Território, liderada por Andreia Candeias Mousinho, sócia responsável, com o apoio dos advogados Benedita Lacerda e Ana Nunes da Silva, da mesma equipa, e de Bancário, Financeiro e Mercado de Capitais, liderada pelo sócio André Figueiredo, com o apoio dos advogados Luís Miguel Vasconcelos, João Terrinha e António Delgado da Cruz, da mesma equipa.

A nova plataforma tem como objetivo investir em ativos logísticos e industriais modernos, localizados em toda a Península Ibérica, respondendo às oportunidades criadas pela reconfiguração das cadeias de abastecimento, que tem levado o setor logístico a apostar em estratégias de nearshoring.

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Seguro de saúde empresarial impulsiona procura por apólices individuais

  • Carolina Neves Carvalho
  • 12 Setembro 2026

Seguros de saúde individuais cresceram 6,3% em 2025, muito acima dos seguros de grupo. Longe de os substituir, as apólices oferecidas pelas empresas estão a impulsionar o mercado particular.

Apesar do crescimento constante dos seguros de saúde oferecidos pelas empresas aos colaboradores, dados do mercado mostram que, em 2025, os seguros de saúde individuais cresceram mais do dobro dos seguros de grupo, cerca 6,3% contra 0,9%, segundo a Associação Portuguesa de Seguradores (APS). Atualmente, Portugal tem quase quatro milhões de pessoas com seguro de saúde, e o seguro empresarial não está a esvaziar o mercado particular.

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“O seguro de saúde oferecido pelas empresas funciona mais como uma porta de entrada para a valorização da proteção da saúde“, sublinha Rui Meireles, Diretor de Employee Benefits da MDS Portugal.

Segundo a corretora, quando um colaborador muda para uma empresa sem seguro de saúde ou se reforma e perde esse benefício, “é muito frequente procurarem uma solução individual que lhes permita manter as coberturas e o acesso aos cuidados de saúde a que estavam habituados“. Meireles sublinha ainda que o mercado português caminha para um “equilíbrio de 50/50” entre ambos os segmentos.

Ambos os segmentos em crescimento

O setor segurador não observa os últimos cinco anos como um período de disputa entre os dois segmentos. Fonte oficial da Generali Tranquilidade explica que tem existido “um crescimento da procura em ambos os segmentos, embora com dinâmicas diferentes”, notando que, no caso das empresas, “o seguro de saúde deixou de ser um benefício diferenciador para passar a ser um dos elementos mais valorizados na proposta de valor ao colaborador”.

Para a Generali Tranquilidade “a saúde assumiu um peso muito maior nas decisões das famílias e das empresas do que tinha há cinco anos.”

Já fonte oficial da Multicare aponta para uma dinâmica muito concreta dentro do segmento empresarial: “no mercado empresarial, destaca-se o forte dinamismo das PMEs“, um sinal de que a expansão da cobertura coletiva ainda está longe de esgotada, mesmo com o crescimento simultâneo do lado individual.

A seguradora aponta ainda como causa deste crescimento a pressão atual sobre o sistema de saúde: “o setor segurador desempenha um papel cada vez mais relevante, ao proporcionar alternativas de atendimento através de rede privada, aliviando a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS), minorando a sua carga assistencial”.

Quando entra em cena o seguro individual?

A apólice coletiva cria hábito, mas não fideliza para sempre. Fonte oficial da Generali Tranquilidade explica que “existe também uma realidade cada vez mais frequente de mobilidade profissional. Quando uma pessoa muda de empresa, inicia atividade por conta própria ou passa para uma entidade que não disponibiliza seguro de saúde, pode sentir necessidade de procurar uma solução individual para manter o nível de proteção a que estava habituada.”

A mesma lógica é confirmada pela MGEN, com fonte oficial a notar que “o seguro empresarial está normalmente associado à permanência do trabalhador naquela organização e as suas condições são definidas de forma coletiva“, pelo que “nem sempre responde integralmente às necessidades específicas de cada pessoa ou do seu agregado familiar“.

Já o seguro individual, acrescenta a mesma fonte, “acompanha-o independentemente do seu percurso profissional” e “pode ser escolhido em função das suas necessidades e prioridades”. Em muitos casos, resume a MGEN, “os dois seguros coexistem ou sucedem-se ao longo das diferentes fases da vida.”

Também a Bupa, que entrou recentemente no mercado português, identifica o mesmo padrão de transição entre seguros. “Acreditamos que os seguros empresariais são, em muitos casos, a porta de entrada para o sistema para muitos segurados”, afirma Nuno Lopes de Almeida, Diretor de Negócios da Bupa Portugal, acrescentando que, “posteriormente, estes utilizadores passam a valorizar os cuidados preventivos e o acesso rápido, e mantêm ou adaptam esta cobertura no futuro através de soluções individuais“.

Lopes de Almeida enquadra esta leitura na própria estratégia de entrada da seguradora no mercado português, que aposta simultaneamente nos dois segmentos: “acreditamos que a oferta para empresas e a oferta individual são complementares e que ambas têm um peso estratégico na nossa expansão em Portugal”.

Rui Meireles, da MDS, acrescenta um elemento adicional a este ciclo: a pandemia. “O contexto pós-pandemia e os desafios sentidos no acesso aos cuidados de saúde no SNS aumentaram a valorização deste tipo de proteção“, afirma, sublinhando que “cada vez mais pessoas encaram o seguro de saúde como um investimento imprescindível para garantir um acesso mais rápido e abrangente aos cuidados de saúde de que necessitam”.

Necessidades específicas requerem outras coberturas

Além da mobilidade profissional, há uma segunda razão que explica por que motivo pessoas já cobertas pela entidade patronal procuram, mesmo assim, um seguro próprio: a insuficiência das apólices coletivas para necessidades familiares ou clínicas específicas.

Rui Meireles, da MDS, explica que “a entidade patronal negoceia uma única opção de seguro para todos os colaboradores, na expectativa que ‘um tamanho sirva a todos’; contudo as pessoas têm necessidades diferentes, em função da fase da vida ou mesmo do seu contexto pessoal”, diz, apontando o exemplo de “histórico de casos oncológicos na família”.

Ainda assim, o responsável nota que este tipo de procura complementar é minoritário: “os casos de procura de um seguro individual complementar são relativamente reduzidos e surgem sobretudo quando existe preocupação de reforçar coberturas.”

Também fonte oficial da Multicare identifica um movimento semelhante, o das soluções de “segundo risco”. “Observa-se uma procura crescente por seguros individuais complementares, nomeadamente soluções de segundo risco, que permitem reforçar o seguro coletivo através do aumento de capitais seguros ou da inclusão de coberturas adicionais para fazer face a despesas de saúde mais elevadas”, explica.

A seguradora liga esta procura a uma maior literacia dos próprios clientes. “Os clientes estão cada vez mais conscientes da importância de dispor de uma proteção de saúde robusta, capaz de responder adequadamente a situações de maior complexidade clínica. Esta maior consciencialização leva também a uma avaliação mais fina das coberturas disponibilizadas pela entidade patronal“, resume.

A inclusão do agregado familiar, frequentemente excluído ou pouco coberto pelas apólices de empresa, é outro motivo recorrente. Fonte oficial da Generali Tranquilidade nota que “há clientes que querem incluir o agregado familiar, outros que procuram reforçar determinadas coberturas e outros ainda que procuram uma solução mais adequada às suas necessidades específicas”.

A MGEN reforça a mesma ideia a propósito da cobertura familiar: é “sobretudo quando o seguro disponibilizado pela empresa abrange apenas o trabalhador ou oferece condições menos favoráveis aos familiares” que os clientes procuram uma solução própria – uma preocupação que, segundo a mesma fonte, “tende a acentuar-se quando existem filhos, perante alterações na situação familiar ou à medida que aumenta a atenção dedicada à prevenção”.

Nuno Lopes de Almeida, da Bupa, acrescenta a esta lista de motivações a procura por “planos sem limites de consultas ou com limites máximos de hospitalização mais elevados para doenças graves”, bem como o interesse crescente por “programas de saúde mental e o acompanhamento digital contínuo”.

Pagar a conta do hospital não chega

Por outro lado, há uma mudança acontecer. A razão pela qual os clientes valorizam o seguro de saúde está a deslocar-se do simples reembolso de despesas médicas para a experiência de acesso e acompanhamento contínuo.

A Generali Tranquilidade descreve esta transição com um exemplo concreto: “os clientes valorizam cada vez mais a rapidez, a conveniência e a simplicidade no acesso aos cuidados de saúde, sendo o crescimento da utilização da telemedicina um bom exemplo desta mudança”. E remata: “hoje já não são vistos apenas como uma forma de fazer face a despesas médicas inesperadas, sendo cada vez mais valorizados pelo acesso, pela conveniência e pelo apoio na gestão da saúde ao longo do tempo”.

A MGEN vai no mesmo sentido, explicando o que o setor terá de fazer nos próximos anos para acompanhar esta mudança: “isso implica reforçar a prevenção, a saúde mental, a gestão da doença crónica e os serviços digitais, promovendo uma relação mais contínua com as pessoas e menos centrada apenas no financiamento do episódio de doença“.

Um mercado individual cada vez mais diverso

O crescimento do segmento individual não se limita a quem já tinha seguro pela empresa: o próprio perfil de cliente está a alargar-se. Rui Meireles, da MDS, aponta que “as seguradoras disponibilizam hoje soluções acessíveis a faixas etárias mais alargadas”, incluindo pessoas com mais de 65 anos, “que há alguns anos tinham poucas ou nenhumas opções no mercado”. Segundo a MDS, os principais clientes deste segmento são hoje “famílias, reformados e cidadãos estrangeiros residentes em Portugal, bem como profissionais liberais e empresários em nome individual”.

Também a MGEN explica que disponibiliza “seguros sem limite de idade na subscrição, sem questionário médico e sem exclusão de pessoas em função do seu estado de saúde. Entendemos que o acesso a uma proteção adequada não deve ficar limitado a um perfil etário, profissional ou socioeconómico específico“, notando que a procura já não está associada apenas a fases tardias da vida: “existe uma maior consciência sobre a importância de contratar uma proteção estável enquanto se é mais jovem e saudável, sobretudo entre adultos em idade ativa e famílias com filhos.”

Já a Multicare identifica uma tendência que reforça este mesmo rejuvenescimento da procura “por parte de famílias jovens que valorizam a rapidez no acesso aos cuidados de saúde”.

Ambos os segmentos vão continuar a ganhar espaço no mercado

Questionadas sobre se o mercado português caminha para um modelo em que o seguro de saúde se torna sobretudo um benefício laboral, todos rejeitam esse cenário. “Não acreditamos que o seguro de saúde venha a tornar-se apenas um benefício laboral“, afirma Rui Meireles, da MDS, para quem “estes dois segmentos de clientes” têm “uma tendência comum de crescimento e não como concorrentes.”

A Generali Tranquilidade partilha a mesma leitura para os próximos cinco anos: “tudo indica que a procura continuará a crescer nos 2 segmentos”, justificando que “a saúde é hoje uma das principais preocupações das famílias e uma prioridade cada vez maior para as empresas. Não vemos sinais de que esta tendência venha a inverter.”

Já Nuno Lopes de Almeida, da Bupa, aposta na tecnologia como motor comum a ambos os mercados: “acreditamos que o grande motor destes dois segmentos será a tecnologia”, diz, referindo-se à digitalização, ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento à distância, que deverão traduzir-se em “condições cada vez mais competitivas para o cliente, sem custos excessivos nem surpresas.”

Para a Multicare, o crescimento dos próximos anos dependerá sobretudo da diferenciação da oferta, num mercado que já dá sinais de maturidade: “a penetração dos seguros de saúde em Portugal tem registado um crescimento muito significativo nos últimos anos, podendo-se estar a aproximar de níveis de maturidade.” Ainda assim, a seguradora identifica onde ainda há espaço para crescer: “destaca-se, em particular, o segmento das PME, onde persiste uma margem relevante para aumentar a adoção de seguros de saúde como benefício para colaboradores”.

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CEO da Anthropic defende travagem no desenvolvimento da inteligência artificial

Dario Amodei defende ainda controlar a exportação de chips avançados para a China e travar a cópia não autorizada de modelos, propostas que ainda não geram consenso total no setor tecnológico.

Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, defende que as empresas de inteligência artificial devem abrandar o ritmo a que evoluem as capacidades dos seus modelos, de forma a dar tempo aos mecanismos de segurança para acompanhar o avanço tecnológico.

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Num ensaio publicado no seu site pessoal, o responsável escreve que “temos de abrandar o ritmo a que melhoramos as capacidades dos modelos de inteligência artificial”, notando que “o progresso continuará a parecer rápido, e temos de fazer um uso sensato do tempo que ganhamos”, justificando esta posição com dois fatores que, segundo o próprio, mudaram o panorama nos últimos meses.

  • O primeiro prende-se com o que Amodei designa por “auto-melhoria recursiva”, ou seja, a crescente utilização da própria inteligência artificial para construir a geração seguinte de sistemas, um fenómeno que, segundo o CEO, já se verifica em várias empresas do setor, incluindo na Anthropic.
  • O segundo motivo é um incidente ocorrido em julho durante avaliações internas de cibersegurança da OpenAI, em que agentes de IA contornaram mecanismos concebidos para os isolar da internet e comprometeram sistemas da Hugging Face. A OpenAI confirmou o episódio e assegurou que não houve impacto em dados de clientes nem na disponibilidade dos seus serviços, enquanto uma investigação independente da organização METR apurou que cerca de 1.200 agentes conseguiram comunicar entre si através de um canal não autorizado, trocando dezenas de milhares de mensagens.

Amodei sustenta que um enxame de agentes com capacidades superiores e um nível semelhante de desalinhamento poderia, na sua avaliação, causar “danos catastróficos”, uma projeção do próprio CEO.

É dever de todas as empresas de IA de fronteira agir como se o incidente entre a OpenAI e a Hugging Face lhes tivesse acontecido diretamente a elas.

Dario Amodei

Cofundador e CEO da Anthropic

Para responder a estes riscos, Amodei propõe um plano com três etapas, que descreve como um caminho para “travar a fronteira” da inteligência artificial sem interromper o desenvolvimento tecnológico, já que, segundo o próprio, “travar o ritmo não significa suspender o treino de modelos ou o progresso técnico”.

  1. Criação de equipas de avaliadores externos com acesso contínuo, semelhante ao dos próprios funcionários, com a função de verificar práticas de segurança e reportar incidentes de forma independente, ainda que o ensaio preveja exceções por razões legais, contratuais ou de proteção de informação confidencial.
  2. Coordenação entre empresas de países democráticos para fixar padrões comuns de segurança.
  3. Coordenação dos EUA e outros governos democráticos com governos autoritários, reconhecendo o próprio CEO as dificuldades de verificar o cumprimento de qualquer entendimento nesse plano.

Amodei revela que a Anthropic compromete-se a avançar de forma unilateral com a primeira medida, prevendo convidar, num futuro próximo, uma equipa externa de revisão a instalar-se nas suas instalações, com acesso a ferramentas e permissões semelhantes às dos seus funcionários responsáveis pela avaliação de riscos.

O CEO da Anthropic apela que as restantes empresas do setor sigam o mesmo caminho, defendendo que “é dever de todas as empresas de IA de fronteira agir como se o incidente entre a OpenAI e a Hugging Face lhes tivesse acontecido diretamente a elas”.

Amodei defende ainda medidas para preservar o avanço tecnológico das democracias face à China, entre as quais o controlo das exportações de chips avançados e o combate à cópia não autorizada de modelos, propostas que se inserem no seu enquadramento geopolítico e não constituem um consenso estabelecido no setor.

No ensaio publicado no seu site, Amodei reafirma que continua convicto de que a inteligência artificial pode trazer benefícios profundos para a humanidade, desde a cura de doenças até ao crescimento económico, sublinhando que esses ganhos só serão alcançados “se construirmos a tecnologia da forma certa”.

O CEO da Anthropic termina a sua análise com uma nota de responsabilidade coletiva, afirmando que “as medidas que proponho para avançar a fronteira a um ritmo seguro não serão fáceis, mas acredito que devemos isso à humanidade”.

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Turismo náutico cresce, mas falta de infraestruturas trava expansão

Procura pelo turismo náutico cresce em Portugal impulsionada pelos mercados internacionais e pela diversificação da oferta. Porém, faltam infraestruturas, além de mão-de-obra e financiamento.

O turismo náutico mantém uma trajetória de crescimento em Portugal, mas a falta de infraestruturas ameaça limitar a expansão do setor. No Douro, um dos principais polos de turismo fluvial do país, os operadores apontam para uma época alta positiva, mas identificam as eclusas e os cais como alguns dos principais constrangimentos ao crescimento da atividade.

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“A época alta está a decorrer de forma globalmente positiva”, afirma Vasco Silva, vice-presidente da Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD), que, com base nos indicadores recolhidos junto dos associados, aponta para níveis de procura “em linha ou ligeiramente acima” dos registados no verão passado.

A evolução não é, contudo, uniforme em todo o país. António Marques Vidal, presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos (APECATE) aponta para uma época em “bom ritmo”, mas salienta que o arranque foi penalizado pelas condições meteorológicas adversas em maio. Nos meses seguintes houve uma recuperação, embora a procura se mantenha, em média, ligeiramente abaixo da registada no período homólogo, segundo a associação.

Os dados mais recentes confirmam a trajetória de crescimento do turismo fluvial no Douro. Em 2025, a Via Navegável do Douro registou 1.388.646 passageiros, contra 1.377.858 no ano anterior, mantendo, segundo a associação, oito anos consecutivos de crescimento. A atividade envolveu ainda 113 operadores, 252 embarcações e quase 17 mil eclusagens.

Os “cruzeiros turísticos de curta duração continuam a representar o segmento mais expressivo, enquanto os navios-hotel mantenham uma trajetória de crescimento sustentado”, detalha o vice-presidente da AAMTD. Entre as experiências mais procuradas estão os cruzeiros entre pontes e nas diferentes albufeiras, os percursos de um dia entre Porto, Régua, Pinhão e Barca d’Alva, os programas ligados ao enoturismo e às quintas durienses e as experiências premium associadas ao vinho, gastronomia e património.

A dimensão da atividade marítimo-turística insere-se num setor náutico mais vasto. Existem atualmente 2.577 embarcações marítimo-turísticas registadas em Portugal, num universo de mais de 73 mil embarcações de recreio.

Segundo um estudo da ACAP Divisão Náutica, realizado em 2025 e citado pelo Fórum Oceano, a náutica de recreio envolve mais de 6.000 empresas, 10 mil trabalhadores e 556 milhões de euros de volume de negócios, colocando Portugal no 12.º lugar europeu. O número de novos registos de embarcações cresceu 6,8% entre 2022 e 2023, para cerca de 5.000 por ano.

Estrangeiros puxam pela procura

No Douro, a procura é fortemente impulsionada pelos mercados internacionais, com os Estados Unidos a assumirem particular destaque no segmento dos navios-hotel. Reino Unido, França, Alemanha, Canadá e Austrália estão também entre os principais mercados emissores, enquanto Espanha tem vindo a ganhar peso nos cruzeiros de um dia, assinala a AAMTD.

“Trata-se, regra geral, de mercados de longa distância, associados a estadias mais prolongadas, maior despesa média e um impacto económico relevante para toda a cadeia de valor turística do Douro”, salienta Vasco Silva, vice-presidente da AAMTD.

Um exemplo desta procura internacional pelo segmento de maior valor é a Pipadouro, operadora de turismo fluvial de luxo no Douro. A empresa cresceu 14% em 2025 face ao ano anterior e 90% dos seus clientes são estrangeiros.

Com atividade desde 2007, a empresa diz ter acompanhado no último ano a tendência mundial do mercado de luxo para experiências cada vez mais personalizadas e não massificadas, com “elevados níveis de personalização e uma forte valorização da autenticidade e da ligação emocional aos destinos”.

A Pipadouro opera no Douro com uma frota que inclui o Friendship I, de 1957, e o Pipadouro II, um Vintage Boat de 30 pés, datado de 1965. A empresa desenvolve o conceito de turismo fluvial de luxo Vintage Wine Travel e tem como acionistas Gonçalo Correia dos Santos, sócio fundador, Quinta do Crasto, Real Companhia Velha e o grupo de investimento GLD.

Massagem a bordo do Friendship l da Pipadouro29 junho, 2025

O mercado nacional mantém igualmente relevância, segundo a AAMTD, beneficiando da crescente valorização do turismo interno e da atratividade do Douro enquanto destino turístico. O líder da APECATE nota, contudo, diferenças significativas entre regiões: no Algarve e em Lisboa predominam os turistas estrangeiros, enquanto em outros destinos os portugueses assumem maior peso. No Algarve destacam-se os mercados europeus, enquanto no Douro sobressaem os norte-americanos.

Segundo o secretário-geral do Fórum Oceano, Ruben Eiras, a procura tem correspondido às expectativas da Rede das Estações Náuticas de Portugal e já não está limitada às atividades tradicionalmente associadas ao mar ou aos meses de verão.

Stand up paddle, canoagem, passeios de barco e vela ligeira estão entre as atividades com maior procura, enquanto o surf continua a ser um dos principais motores de atração, sobretudo entre os públicos mais jovens. Mergulho, kitesurf e pesca desportiva têm também vindo a consolidar-se junto de segmentos mais específicos, detalha Rúben Eiras.

“Esta diversificação permite aos parceiros da Rede das Estações Náuticas captar segmentos de mercado muito distintos, que de outra forma não encontrariam na náutica uma proposta à sua medida”, diz Ruben Eiras.

Apesar de a época alta continuar concentrada entre maio/junho e setembro, o turismo náutico é apontado como um dos segmentos que pode ajudar a combater a sazonalidade e impulsionar o crescimento no interior do país.

A expansão para rios e albufeiras está a permitir levar a atividade para territórios do interior e criar oferta ao longo de todo o ano. A região Centro conta atualmente com 19 estações náuticas certificadas, sendo a região com maior número e aquela onde existem mais estações no interior do que no litoral, segundo o Fórum Oceano.

O turista não tem fronteiras, procura experiências autênticas e diferenciadoras, esteja essa experiência associada ao mar, a um rio ou a uma albufeira no interior do país.

Rúben Eiras

Secretário-geral do Fórum Oceano

“O turista não tem fronteiras, procura experiências autênticas e diferenciadoras, esteja essa experiência associada ao mar, a um rio ou a uma albufeira no interior do país”, defende Ruben Eiras.

Para a AAMTD, o desafio já não passa apenas por aumentar o número de visitantes, mas por aumentar o valor gerado pela atividade, melhorar a experiência turística e assegurar um crescimento sustentável.

O presidente da APECATE considera igualmente que existe margem significativa para crescer, do Alqueva às barragens e albufeiras do interior e ao longo de toda a costa, entre o Algarve e o Minho.

Falta de infraestrutura é o principal travão

É precisamente neste ponto que surgem alguns dos principais desafios. A AAMTD identifica a modernização e aumento da capacidade operacional das eclusas como um dos fatores que mais condicionam o crescimento futuro da atividade no Douro.

A requalificação dos cais e das infraestruturas portuárias, a sustentabilidade ambiental, a escassez de recursos humanos qualificados e a gestão da crescente procura estão também entre os problemas identificados pelos operadores.

A nível nacional, o diagnóstico do Fórum Oceano é semelhante. Em zonas de maior procura, sobretudo marinas e cais, a capacidade pode esgotar-se durante a época alta. No interior, existem ainda locais sem cais ou ancoradouros e outros onde as condições de segurança não são consideradas suficientes para suportar o desenvolvimento da atividade.

“São necessários mais investimentos”, defende Ruben Eiras, apontando para a necessidade de reforçar cais, ancoradouros, rampas e equipamentos de apoio, sobretudo no interior.

O Fórum Oceano aponta ainda para a escassez de oportunidades de financiamento especificamente dirigidas ao turismo náutico, sobretudo para investimentos em marinas, cais, rampas e outros equipamentos de apoio à atividade.

O secretário-geral do Fórum Oceano alerta ainda que o setor enfrenta igualmente uma forte fragmentação empresarial, com muitas micro e pequenas empresas a sentirem dificuldades em áreas como a capacitação, digitalização e certificação.

António Marques Vidal acrescenta à falta de infraestrutura, o excesso de burocracia e legislação que considera desajustada, bem como a falta de portos especificamente preparados para a atividade de animação turística.

Custos pressionam margens

O aumento da procura não está, contudo, a traduzir-se automaticamente numa melhoria equivalente da rentabilidade das empresas.

No Douro, os operadores têm feito atualizações moderadas dos preços, mas a AAMTD alerta que os custos de combustíveis, energia, manutenção, seguros, financiamento e recursos humanos continuam a pressionar as margens.

“Apesar da robustez da procura, a rentabilidade não cresce necessariamente ao mesmo ritmo da faturação, uma vez que subsistem desafios relacionados com custos laborais, manutenção da frota, exigências regulatórias e investimentos associados à transição energética e sustentabilidade das operações”, aponta ao ECO Vasco Silva, vice-presidente da AAMTD.

Apesar da robustez da procura, a rentabilidade não cresce necessariamente ao mesmo ritmo da faturação, uma vez que subsistem desafios relacionados com custos laborais, manutenção da frota, exigências regulatórias e investimentos associados à transição energética e sustentabilidade das operações.

Vasco Silva

Vice-presidente da AAMTD

O presidente da APECATE aponta igualmente para um aumento dos custos e da carga fiscal. Os preços das atividades náuticas, segundo a associação, têm evoluído globalmente em linha com a inflação, mas o aumento dos custos continua a penalizar a rentabilidade das empresas.

A escassez de mão-de-obra qualificada é outro dos principais problemas. Persistem dificuldades no recrutamento e retenção de tripulações, técnicos especializados e profissionais ligados à operação turística, numa atividade que enfrenta ainda o desafio adicional da sazonalidade do emprego.

A Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos alerta ainda para constrangimentos legais à contratação de navegadores de recreio, que, segundo a associação, poderiam em alguns casos suprir parte das necessidades das empresas.

A Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro defende, neste contexto, a criação de modelos de qualificação e certificação profissional mais ajustados à realidade da Via Navegável do Douro.

A nível nacional, o Fórum Oceano identifica também a sazonalidade da mão de obra qualificada como um dos obstáculos ao desenvolvimento do setor, nomeadamente no caso de monitores, skippers e guias certificados, difíceis de reter fora dos meses de verão.

Douro gera até 450 milhões por ano

Embora não existam dados oficiais consolidados sobre a faturação do turismo náutico em Portugal, a AAMTD estima que o turismo fluvial no Douro gere atualmente entre 350 e 450 milhões de euros por ano e seja responsável por mais de 8.000 postos de trabalho diretos.

A nível nacional, o secretário-geral Fórum Oceano, Ruben Eiras, salienta que o turismo náutico não dispõe ainda de uma rubrica estatística própria e desagregada nas estatísticas oficiais, o que dificulta a medição do peso económico da atividade e o planeamento estratégico do setor.

Para o Fórum Oceano, a falta de dados consolidados pode também dificultar o acesso a financiamento, uma vez que muitas linhas de apoio exigem informação sobre a dimensão do mercado e o seu potencial de crescimento.

Margem para crescer, mas com mais valor

O porta-voz do Fórum Oceano considera que a margem de crescimento continua a ser significativa, sobretudo nas águas interiores, na náutica de recreio de médio e longo curso e na ligação entre experiências náuticas, gastronomia, património e natureza.

Rúben Eiras aponta a digitalização da oferta e a certificação de qualidade são outras áreas com potencial, enquanto a adoção de soluções de menor impacto ambiental começa também a ganhar espaço, nomeadamente através de embarcações elétricas e eletrossolares.

Para a AAMTD, o objetivo é consolidar o Douro como destino fluvial de referência internacional, mas garantindo que o crescimento é acompanhado por investimento, planeamento e sustentabilidade.

O setor não precisa apenas de crescer mais, precisa de crescer melhor.

Vasco Silva

Vice-presidente da direção da AAMTD

“O setor não precisa apenas de crescer mais, precisa de crescer melhor“, resume o vice-presidente da direção da AAMTD.

A aposta num turismo náutico de maior valor acompanha, assim, uma mudança mais ampla no setor turístico português: depois dos anos de recordes, o desafio passa cada vez mais por crescer com maior valor acrescentado.

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Trump defende que reunificação da Irlanda “vai acontecer eventualmente”

  • Lusa
  • 12 Setembro 2026

Trump reconheceu que o Reino Unido terá sempre uma palavra a dizer sobre o processo, mas insistiu que não vê como a unificação da Irlanda possa ser algo negativo para qualquer um.

O Presidente dos EUA defendeu este sábado que a reunificação da República da Irlanda com a Irlanda do Norte “vai acontecer eventualmente”. “Não quero causar problemas, mas adoraria vê-la unificada”, afirmou Donald Trump, num encontro com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, em Dublin.

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Para o presidente norte-americano a reunificação da Irlanda “seria uma coisa fantástica”, que “vai acontecer eventualmente”, mas, para isso acontecer, o Reino Unido também terá uma palavra a dizer.

A Irlanda do Norte esteve dividida entre duas comunidades: nacionalistas, na sua maioria católicos, que desejavam a união com o resto da Irlanda, e os unionistas, sobretudo protestantes, que queriam permanecer britânicos.

As tensões entre as duas fações arrastaram-se por três décadas de confrontos. Em 1998, um acordo de paz pôs fim ao conflito, mas deixou o estatuto final da Irlanda do Norte indefinido (mantendo a Irlanda do Norte no Reino Unido, mas estabelecendo que o seu estatuto futuro pode ser decidido por referendo se a maioria assim o desejar).

Também este sábado o presidente dos EUA teve uma reunião com a homóloga Irlandesa, Catherine Connolly, crítica da política da Administração Trump.

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Mina de bitcoin nas montanhas mexicanas deixa cartéis sob suspeita

Além do furto de energia, as autoridades policiais suspeitam que os criptoativos minerados serviram para disfarçar milhões ligados ao crime organizado que domina a região.

Numa estrada de terra batida pouco usada no meio das montanhas verdejantes do centro do México, o zumbido constante e mecânico de centenas de máquinas ligadas 24 horas por dia acabou por denunciar o que ali se escondia. Foi esse ruído, associado a um consumo de eletricidade muito acima do que qualquer aldeia da Sierra Norte de Puebla poderia justificar, que levou a polícia até uma instalação clandestina dedicada à mineração de criptoativos, agora sob investigação por suspeitas de branqueamento de capitais ligado ao crime organizado.

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No município de Tlaola, as autoridades encontraram 300 unidades de processamento gráfico (GPU), 80 terminais de média tensão e oito antenas de internet via satélite, um conjunto de equipamento que aponta para uma operação bem financiada e tecnicamente sofisticada, de acordo com o comunicado das autoridades mexicanas.

A Procuradoria-Geral da República, a Marinha e a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Puebla participaram na operação conjunta, depois de a Comissão Federal de Eletricidade ter apresentado queixa por suspeita de furto de energia junto de uma barragem hidroelétrica da região. Trata-se já da quarta quinta com esta atividade detetada na zona desde o início do ano passado, sugerindo um padrão de instalações recorrentes ligadas à mesma rede.

As transações ligadas a criptomoedas associadas a atividade criminosa mais do que duplicaram no ano passado, atingindo cerca de 154 mil milhões de dólares em 2025, segundo dados da empresa Chainalysis.

Na América Latina, a mineração de criptoativos não é ilegal e no México nenhuma lei proíbe esta atividade. O que está a ser investigado pelas autoridades mexicanas é o furto de eletricidade, prática conhecida localmente como “huachicoleo” de energia, além da possibilidade de os ativos digitais gerados terem servido para dar aparência de legalidade a fundos provenientes de atividades ilícitas.

Francisco Sánchez González, responsável pela Secretaria de Segurança Pública de Puebla, explicou em conferência de imprensa que o elevado consumo energético e o ruído produzido pelos equipamentos obrigam os operadores a procurar locais isolados, precisamente o que despertou as suspeitas das autoridades junto da barragem de Necaxa.

Segundo a Chainalysis, uma empresa especializada em análise de blockchain, as transações ligadas a criptomoedas associadas a atividade criminosa mais do que duplicaram no ano passado, atingindo cerca de 154 mil milhões de dólares em 2025 face aos 59 mil milhões registados no ano anterior.

Caio Motta, especialista da empresa para a América Latina, revela à Reuters que os cartéis procuram locais com eletricidade barata ou sob influência do crime organizado, onde conseguem furtar energia e instalar infraestrutura de grande escala sem custos operacionais relevantes.

O custo da eletricidade é, aliás, o principal fator económico da mineração de bitcoin. De acordo com o índice de consumo energético da Universidade de Cambridge, produzir uma única unidade da criptomoeda mais utilizada no mundo custa atualmente cerca de 45 mil dólares, valor que ainda assim garante uma margem considerável face aos preços atuais, próximos dos 78 mil dólares.

Casos semelhantes já foram identificados no Brasil, nos EUA e no sudeste asiático, incluindo uma vasta operação de mineração desmantelada na Tailândia que abrangia cinco províncias. E até em Portugal, se bem que numa dimensão mais reduzida, como sucedeu este ano, com a GNR a deter um homem no Bombarral por furto de energia para minerar.

A investigação em Tlaola deverá alastrar-se a outros municípios da região. Francisco Sánchez González confirmou que a Secretaria de Segurança Pública de Puebla vai coordenar-se com estados vizinhos para localizar outras instalações com o mesmo perfil, depois de as três quintas anteriores terem sido descobertas junto à mesma barragem de Necaxa.

Para as autoridades mexicanas, o objetivo passa por determinar se existe uma rede organizada por detrás destas operações ou se se trata de iniciativas isoladas que exploram a mesma vulnerabilidade na rede elétrica.

Caio Motta, da Chainalysis, adverte que o crescimento da adoção de criptoativos a nível global deverá traduzir-se em novos recordes de crime associado a este setor nos próximos anos, à medida que os ativos digitais se tornam mais acessíveis a qualquer utilizador, incluindo redes criminosas.

Ao mesmo tempo, o especialista sublinha que as autoridades têm hoje mais ferramentas para rastrear transações em blockchain do que há apenas alguns anos, o que reduz a margem de manobra de quem tenta esconder a origem dos fundos através da mineração ou da compra de criptoativos.

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⛽Gasóleo volta a subir sem bater máximos, mas gasolina desce na próxima semana

Quando for abastecer, deverá passar a pagar cerca de 2,132 euros por litro de gasóleo simples e 2,06 euros por litro de gasolina simples 95, tendo em conta os valores diários praticados nas bombas.

Na segunda-feira quando for abastecer a sua viatura vai pagar mais dois cêntimos por litro no gasóleo, mas se a sua opção recai na gasolina, se puder espere porque haverá uma redução de quatro cêntimos, tendo em conta os descontos já anunciados pelo Governo, avançou ao ECO a a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC).

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Na próxima semana, quando for abastecer, deverá passar a pagar cerca de 2,132 euros por litro de gasóleo simples e 2,06 euros por litro de gasolina simples 95, tendo em conta os valores diários praticados nas bombas na sexta-feira, divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).

Apesar do agravamento do preço do diesel, ainda não se bateram níveis recorde. A 12 de abril deste ano, os automobilistas pagaram o combustível mais usado em Portugal a 2,1397 euros por litro.

Desde o início do ataque ao Irão, o gasóleo regista um aumento acumulado de 49,4 cêntimos e a gasolina de 35 cêntimos, tendo já em conta o comportamento dos preços na próxima semana.

Ainda que os combustíveis tenham tido esta semana um comportamento diferente, o Executivo aumentou o desconto do ISP em ambos, um desconto que se traduz na descida do ISP na justa medida do aumento da receita do IVA.

O Executivo estabeleceu o limiar nos 10 cêntimos de subida, para apoiar os combustíveis. De sublinhar que o aumento de 10 cêntimos é contabilizado a partir da semana de 2 a 6 de março, antes do ataque concertado dos Estado Unidos e de Israel ao Irão, que levou à disseminação do conflito pelo Médio Oriente e ao encerramento do Estreito de Ormuz. Desde então o gasóleo regista um aumento acumulado de 49,4 cêntimos e a gasolina de 35 cêntimos, tendo já em conta o comportamento dos preços na próxima semana.

O forte aumento dos preços dos combustíveis na bomba levou o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro a acusar o Governo de estar a ganhar dinheiro com a subida dos combustíveis. Uma declaração desmentida pela ministra do Ambiente, em conferência de imprensa, segunda-feira, que garantiu que o “Governo não está a lucrar com a crise dos combustíveis”.

Maria da Graça Carvalho sublinhou que a diferença de preços que Portugal tem face a Espanha é idêntica à que Espanha tem relativamente a França, depois de Carneiro ter ido até Tui, no país vizinho para visitar um posto de combustível e sublinhar que o país está a perder competitividade em relação a Espanha devido à diferença do preço da gasolina e do gasóleo.

O Governo recusa fixar os preços dos combustíveis e apesar de não lucrar com a subida, dado o mecanismo de devolução do ISP correspondente ao aumento do IVA, a redução de apoios aos combustíveis que o Governo foi levando a cabo nos últimos dois anos, permitiram ganhar uma folga de 804 milhões de euros, exatamente o custo do novo bónus das pensões e a descida de IRS anunciada pelo Executivo esta semana, tal como avança o Expresso.

Os contratos futuros do Brent para entrega em novembro, que servem de referência para o mercado europeu, fecharam na sexta-feira a descer 2,81%, para os 104,61 dólares por barril, interrompendo cinco sessões consecutivas de alta com a maior queda desde 25 de agosto, quando baixou 3,89%. No entanto, em termos semanais, o ganho foi de 8,65%, é preciso recuar a 24 de julho para encontrar uma subida mais expressiva (9,85%).

Esta queda dos preços foi reflexo do anúncio pelo Irão de uma reunião na segunda-feira com oito Estados ribeirinhos do Golfo Pérsico para abordar o estabelecimento de rotas seguras de navegação no Estreito de Ormuz. Há semanas, o Governo iraniano disse que havia um acordo com Omã para criar um corredor de trânsito marítimo no Estreito gerido pelos dois Estados, o que não foi concretizado.

Mas os preços deverão permanecer acima dos 100 dólares porque a escassez de matérias prima não deverá ser resolvida no imediato.

O oleoduto leste-oeste, situado nas regiões de Riade e Medina, que transporta aproximadamente sete milhões de barris de crude por dia, foi encerrado preventivamente após vários ataques com drones provenientes do Iraque.

O Ministério da Energia saudita avançou, em comunicado, que o oleoduto, a principal rota de abastecimento para os mercados globais no atual contexto de tensões no estreito de Ormuz, foi “alvo de múltiplos ataques na manhã de quinta-feira”, pelo que “foi encerrado como medida de precaução”.

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Carneiro acusa Chega de fazer jogo político com IVA dos combustíveis

  • Lusa
  • 12 Setembro 2026

O secretário-geral do PS lembrou que o partido propôs por três vezes a redução do IVA de 23% para 13% nos combustíveis, tendo o Chega chumbado as duas primeiras propostas apresentadas.

O secretário-geral do PS acusou hoje o Chega de “procurar enganar os portugueses” no debate sobre a redução do IVA nos combustíveis, referindo que o partido contribuiu para o chumbo de propostas dos socialistas nesse setor.

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Quem apresentou primeiro essas propostas [de redução do IVA sobre os combustíveis] foi o Partido Socialista […] e apresentámo-las por duas vezes. Por duas vezes, o Chega votou contra. Agora, como nós apresentámos pela terceira vez na semana que passou, à terceira também entendeu dar o ar da sua graça”, afirmou José Luís Carneiro, que falava aos jornalistas na chegada à Convenção Autárquica Nacional do PS, que decorre hoje em Leiria.

O líder socialista respondia às declarações do presidente do Chega, André Ventura, que, na sexta-feira, desafiou José Luís Carneiro a aprovar a redução do IVA sobre os combustíveis dos atuais 23% para a taxa intermédia, de 13%.

Para o secretário-geral do PS, o Chega está “a procurar enganar os portugueses”. “Nós apresentámos várias propostas de redução do IVA de 23% para 13% nos combustíveis, a redução dos custos quer com a eletricidade, quer com o gás de botija e também redução do IVA nos bens alimentares essenciais. A AD [PSD/CDS-PP], o Chega e a Iniciativa Liberal chumbaram estas propostas”, notou.

José Luís Carneiro afirmou ainda que foi também ele o primeiro líder partidário a propor ao Governo que elaborasse um plano para responder “àquilo que viria a ser uma crise com os preços, nomeadamente dos combustíveis”, após a guerra iniciada por Israel e Estados Unidos contra o Irão.

“Alguém tem de responder por que é que faltou à chamada nessas vezes anteriores, mas vamos procurar demonstrar como aquilo que o Chega trouxe para cima da mesa, mais uma vez, é uma tentativa de engano dos portugueses”, vincou.

Sobre a Convenção Autárquica Nacional, José Luís Carneiro disse que o PS pretende avançar com “uma nova forma de olhar para os poderes e para a organização do poder político”, defendendo mais meios humanos e financeiros para as autarquias, assim como uma maior autonomia.

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Luís Neves marca nova ronda negocial com sindicatos da PSP e GNR

  • Lusa
  • 12 Setembro 2026

As reuniões estão marcadas para os dias 17 e 29 de setembro e vão discutir o suplemento de fronteiras aeroportuárias e a reestruturação de carreiras na PSP e na GNR em todo o país.

O ministro da Administração Interna convocou os sindicatos da PSP e as associações da GNR para novas reuniões negociais nos dias 17 e 29 de setembro, anunciou este sábado o ministério liderado por Luís Neves.

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Numa nota enviada às redações, o ministério da Administração Interna (MAI) explicou que a convocatória das novas rondas de negociações com associações e sindicatos foi enviada na sexta-feira, sublinhando que a marcação das reuniões “não foi uma reação aos protestos, foi o cumprimento do calendário que sempre esteve previsto”.

Luís Neves “sempre disse – inclusive na audição regimental desta semana – que as negociações seriam retomadas em setembro”, lê-se ainda no esclarecimento enviado por este ministério.

Segundo as convocatórias a que a Lusa teve acesso, a reunião agendada para o dia 17 de setembro terá como objetivo concluir a negociação do suplemento especial para o controlo de fronteiras aeroportuárias e no dia 29 de setembro serão discutidas a reestruturação das carreiras e a organização do tempo de trabalho.

Esta semana, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) e a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) anunciaram um ciclo de protestos conjuntos por considerarem que as promessas de revisão salarial e de carreiras não foram cumpridas.

Em causa, para ambas as forças de segurança, está o incumprimento do acordo de 2024, que aumentou em 300 euros o suplemento de risco, mas que ainda não concretizou a revisão salarial, de carreiras e do sistema de avaliação.

A ASPP apresentou um calendário e, entre 22 de setembro e 30 de outubro, vão decorrer manifestações, estando já definidas uma em 24 de setembro no Porto e outra em 08 de outubro em Lisboa, além de Leiria (01 de outubro) e Faro (14 outubro).

Em aberto está ainda a possibilidade de ocorrerem protestos em outras cidades, incluindo Coimbra, Guimarães e nas regiões autónomas. “Há um esvaziamento completo da PSP no campo operacional, há um atropelo gritante em várias dimensões da condição policial e parece-nos que há aqui um jogo de empurra para ganhar mais tempo ainda. E nós, percebendo esta dinâmica, entendemos que mesmo que sejam marcadas novas reuniões, o protesto tem que ser uma realidade”, explicou o presidente da ASPP, Paulo Santos.

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BRICS superam divisões sobre Médio Oriente e fecham acordo antes de cimeira em Deli

  • ECO
  • 12 Setembro 2026

O impasse centrou-se na disputa entre Irão e Emirados Árabes Unidos sobre o conflito no Golfo, resolvida com um texto que não nomeia diretamente nenhum país envolvido no conflito atual.

Os países do BRICS chegaram a um consenso sobre a declaração final de líderes depois de negociações que se arrastaram pela madrugada deste sábado, superando divergências profundas sobre a formulação relativa ao conflito no Médio Oriente, de acordo com fontes citadas pela Reuters.

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O entendimento surge horas antes do arranque da cimeira em Nova Deli, na Índia, e é visto como um resultado diplomático relevante para o país anfitrião, que liderou consultas sustentadas a nível oficial e político para evitar que as divergências comprometessem o desfecho do encontro.

O ponto mais difícil da negociação centrou-se na forma como o texto trataria o conflito entre o Irão e os Estados do Golfo. Teerão pretendia uma referência explícita ao que considera ter sido um ataque unilateral contra o país e uma violação da Carta das Nações Unidas, enquanto os Emirados Árabes Unidos procuravam um reconhecimento das alegadas agressões iranianas à sua soberania e integridade territorial.

Segundo fontes citadas pela imprensa indiana, o Irão resistiu inicialmente a que a sua posição fosse absorvida numa formulação genérica sobre soberania e integridade territorial, receando que isso diluísse a referência ao ataque de que se diz vítima.

Os negociadores acordaram um texto que não deverá nomear diretamente nenhum país no conflito do Médio Oriente, mas que condenará a guerra unilateral promovida por qualquer Estado.

A cimeira decorre num momento marcado por uma nova escalada entre Washington e Teerão, com a retoma de ataques mútuos num conflito que já dura seis meses, depois de uma pausa nos combates ao longo de boa parte de agosto e de um reforço da presença dos rebeldes houthis, alinhados com o Irão, na região do Mar Vermelho.

Segundo a Reuters, os negociadores acordaram um texto que não deverá nomear diretamente nenhum país, mas que condenará a guerra unilateral promovida por qualquer Estado, cabendo agora aos líderes do bloco a aprovação formal do documento.

A questão da Palestina revelou-se, por comparação, menos controversa, com aceitação generalizada em manter a formulação da declaração do Rio, de 2025, que descreve Gaza como parte inseparável do território palestiniano ocupado e defende a unificação de Gaza e da Cisjordânia sob a Autoridade Palestiniana.

A 18ª cimeira dos BRICS realiza-se em Deli, tendo como anfitrião Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, e reúne líderes como o russo Vladimir Putin, o chinês Xi Jinping, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, o sul-africano Cyril Ramaphosa e o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan.

O bloco, que junta ainda Brasil, Índia, China, Egito, Etiópia e Indonésia, representa mais de 40% da população mundial e cerca de um quarto da economia global, procurando reforçar o seu peso junto de instituições como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio.

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Elite de matemáticos alertam para riscos da inteligência artificial na ciência

  • Lusa
  • 12 Setembro 2026

Os 25 signatários de uma carta aberta reagem dias depois de a OpenAI anunciar que um dos seus modelos resolveu, em menos de quatro dias, uma equação com mais de cem anos de existência.

Cerca de 25 galardoados com o Medalha Fields, o equivalente ao Nobel da Matemática, alertaram para um possível “efeito destrutivo” da inteligência artificial (IA) na investigação na disciplina, poucos dias depois da resolução de um complexo problema pela OpenAI.

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A criadora do ChatGPT anunciou na terça-feira que um dos seus modelos de IA tinha resolvido, em menos de quatro dias, uma equação matemática com mais de um século de existência.

Este anúncio foi ofuscado pelas declarações públicas do matemático australiano Tristan Buckmaster, que questionou as semelhanças entre os seus próprios trabalhos, anteriores ao projeto da OpenAI, e os do modelo de IA.

A inteligência artificial “oferece o potencial para fortalecer e acelerar o estudo e a compreensão da matemática”, escreveram na sexta-feira os investigadores de renome numa carta aberta, notando ainda que “a matemática como profissão terá de se adaptar a estas mudanças de várias formas”, explicaram.

Para os matemáticos, são “as decisões dos humanos que controlam esta tecnologia” que vão determinar, “em grande parte”, se serão benéficas para a disciplina ou se terão um efeito destrutivo. Os 25 medalhados pedem, assim, que as principais empresas de IA “respondam urgentemente” a estas questões.

Desde o ano passado, várias destas empresas reportaram avanços no mundo da matemática, mas a resolução da equação de Navier-Stokes, anunciada na terça-feira, é a mais notável.

Faz parte dos sete “Problemas do Milénio” selecionados em 2000 pela organização de apoio à investigação Clay Mathematics Institute, com um prémio de um milhão de dólares para cada um.

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Douro recebe apoio de 12 milhões de euros por uvas não vendidas

  • Lusa
  • 12 Setembro 2026

A medida, já assinada pelo ministro da Agricultura e a caminho do Diário da República, garante até 1.125 euros por hectare aos produtores que não conseguirem escoar toda a vindima.

O apoio extraordinário de 12 milhões de euros será pago diretamente pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) aos viticultores durienses, em função da quantidade de uvas que fique por colher nesta vindima.

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Em comunicado, o Ministério da Agricultura e Mar explica algumas das normas para a atribuição do apoio excecional e adianta que a portaria que estabelece as regras de acesso à medida já foi assinada pelo ministro da Agricultura e enviada para publicação em Diário da República (DR).

O Governo aprovou no dia 4 de setembro, em Conselho de Ministros, um regime de exceção, com uma dotação global de 12 milhões de euros, para garantir um apoio ao rendimento dos viticultores do Douro que, devido às atuais dificuldades de mercado, não consigam vender a totalidade das suas uvas na campanha de 2026-2027.

[Este regime de exceção] insere-se num quadro de medidas para normalizar o setor vitivinícola, salvaguardar a sustentabilidade económica, social e ambiental, e proteger os produtores e o património cultural e paisagístico da região duriense.

Ministério da Agricultura

O montante, explica o ministério, será pago diretamente pelo IVDP em função da quantidade de uvas que fique por colher. O valor atribuído será calculado comparando a produção declarada em 2026 com a produção média de cada viticultor nas cinco campanhas anteriores, ficando a concessão limitada a 1.125 euros por hectare.

Os viticultores devem identificar na candidatura as parcelas abrangidas e manter as uvas na vinha até à verificação pelo IVDP, sendo o apoio pago de uma só vez após o controlo no local.

Na nota de imprensa, o ministério explica que este regime de exceção “insere-se num quadro de medidas para normalizar o setor vitivinícola, salvaguardar a sustentabilidade económica, social e ambiental, e proteger os produtores e o património cultural e paisagístico da região duriense”.

Os problemas de escoamento de uvas agravaram-se este ano no Douro. Há viticultores que se queixam de não terem compradores, outros que só terem venda assegurada as uvas do benefício, ou seja, a quantidade de mosto que cada um pode destinar para a produção de vinho do Porto, e queixam-se também do baixo preço a que a uva lhes é paga.

Do outro lado, os operadores alertam para os stocks cheios e as quebras nas vendas de vinhos.

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