De janeiro a junho foram 10% de distância. E agora PSI-20?

A bolsa nacional registou melhor semestre desde 2015. Avança 10% desde o início do ano. Vai continuar? Os analistas perspetivam desafios para um índice altamente concentrado em cinco cotadas.

De janeiro a junho foram 10% de distância. Ganhos no PSI-20 alavancados sobretudo pelos desempenhos do BCP, Jerónimo Martins e EDP Renováveis. Para o índice de referência nacional foi o melhor semestre desde 2015, coincidindo igualmente com o melhor arranque desde então. O contexto internacional ajudou. Mas podemos ter entrado num ponto de inversão num índice altamente concentrado.

Lisboa teve um primeiro semestre bastante positivo. A bolsa somou 10,1%. Mas as perspetivas para a segunda metade do ano tornaram-se mais incertas com os problemas de comunicação revelados por Mario Draghi na última semana. O presidente do Banco Central Europeu falou em Sintra e poucos perceberam o que realmente disse, mas ficou a certeza no mercado de que o fim dos estímulos dos bancos centrais está aí ao virar da esquina. Há uma nova rotação nos mercados em curso com as expectativas de aperto da política monetária que vai encarecer o acesso ao dinheiro tanto na Zona Euro como no Reino Unido.

Neste cenário, as yields das obrigações sobem, assim como o euro. Na bolsa, perdem as tecnológicas e setores mais sensíveis às taxas de juro como dos bens de consumo, enquanto os bancos surgem em posição mais favorável. Os dados estão lançados.

“O mundo enfrenta incertezas a nível económico, monetário, geopolítico e social para que as bolsas possam continuar a subida sem pausa”, diz Pedro Lino, da Dif Broker. “Após os ganhos verificados nas principais bolsas mundiais com o PSI-20 a acompanhar, é provável que alguns investidores realizem mais-valias”, explica.

De alguma forma esta incerteza já se manifestou durante a última semana, mas isso não foi impeditivo de um semestre em alta para os principais índices. Aqui ao lado, o IBEX-35 avançou mais do que Lisboa, mas o PSI-20 conseguiu distinguir-se positivamente dos benchmarks internacionais Stoxx 600 e do S&P 500.

IBEX-35 fez melhor do que PSI-20 no primeiro semestre

Fonte: Bloomberg (valores em %)

Para a segunda metade do ano, João Queiroz, diretor da banca online do Banco Carregosa, junta-se a Pedro Lino nas perspetivas mais reservadas para a bolsa portuguesa, numa altura em que Portugal pode sair do “lixo” por parte das agências de rating. Ainda assim…

"O mundo enfrenta incertezas a nível económico, monetário, geopolítico e social para que as bolsas possam continuar a subida sem pausa. Após os ganhos verificados nas principais bolsas mundiais com o PSI-20 a acompanhar, é provável que alguns investidores realizem mais-valias.”

Pedro Lino

Dif Broker

“Pode haver margem para mais valorizações no PSI-20, mas seria preciso que a conjuntura fosse favorável. (…) Internamente, o maior desafio é sermos capazes de reduzir a dívida. O risco de Portugal e o juros da dívida teriam muito a beneficiar se o montante da nossa dívida baixasse”, aponta Queiroz. “A política de controlo de custos e gastos do Estado deverá continuar para poder gerar excedentes primários e manter a atual perceção de risco”, acrescenta o responsável.

Desafios concentrados

Além incertezas internas e externas, há outro fator a ter conta quando se olha para o PSI-20: o seu índice de concentração. Mais de 60% do índice está dependente dos humores e amores em relação a apenas cinco cotadas: BCP, EDP, EDP Renováveis, Jerónimo Martins e Galp. Ou seja, qualquer fator específico relacionada com uma delas pode determinar o rumo dos acontecimentos em Lisboa.

Lino concede: “O PSI-20 tem um grau de concentração elevado, com cinco empresas a dominarem o índice. A perspetiva para estas cotadas é de consolidação dos ganhos com correções, com as energéticas a estarem no centro das atenções seja pela desvalorização do preço do petróleo, seja pelo risco reputacional ou legal decorrente da intenção do governo de rever os CMEC”.

O primeiro semestre foi sobretudo amigo para o BCP, Jerónimo Martins e EDP Renováveis. Mas castigou as ações da EDP e Galp.

BCP liderou ganhos em Lisboa

Fonte: Bloomberg (valores em %)

João Queiroz explica que o banco liderado por Nuno Amado vai continuar a ser condicionado pelas taxas de juro em mínimos do BCE, circunstância que mantém o setor “mais dependente da geração de comissões e do desempenho do crédito e financiamento concedido”. Ou seja, malparado.

Para a Galp e Jerónimo Martins também há pontos de interesse. Evolução do preço do barril de petróleo, no caso da petrolífera nacional, “apesar da menor correlação da ação com o preço desta mercadoria”, salienta Queiroz.

Em relação à retalhista dona do Pingo Doce, importará perceber as tendências que vão transformar o setor “dada a maior pressão do online e a necessidade de atrair mais visitantes para o canal tradicional”, frisa o responsável, dando como exemplo da revolução no retalho o fecho de pontos de venda em número recorde nos EUA e a aquisição da Whole Foods Product pela Amazon.

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