Fed aperta regras éticas para investimentos de dirigentes e quadros superiores

  • Lusa
  • 22 Outubro 2021

A imposição de um conjunto de restrições aos investimentos que os dirigentes da Reserva Federal podem fazer surge na sequência de transações polémicas de dois presidentes, que entretanto se demitiram.

A Reserva Federal (Fed) impôs um novo e alargado conjunto de restrições aos investimentos que os seus dirigentes podem fazer, em resposta a transações polémicas recentes que já forçaram duas demissões.

Na quinta-feira, o banco central dos EUA anunciou que os seus dirigentes e quadros superiores seriam proibidos de investir em títulos individuais, tanto ações como obrigações.

Têm ainda de avisar com 45 dias de antecedência, e esperar pela aprovação, qualquer transação que tencionem fazer. E têm de manter o título em que investiram durante pelo menos um ano.

Estes dirigentes e quadros superiores vão ter de vender todos ações e obrigações que agora possuam, bem como qualquer categoria de títulos, incluindo obrigações municipais, que a Fed está a comprar, como parte do seu programa de estímulos económicos.

As novas regras também vão exigir que os membros da Fed visados revelem publicamente todas as transações financeiras dentro de 30 dias, além de impedirem transações durante períodos de “‘stress’ acrescido no mercado financeiro”. A Fed adiantou que ainda não decidiu como definir estes períodos.

Em comunicado, o banco central norte-americano informou que vai incorporar estas restrições nas suas políticas escritas “nos próximos meses”. Os dirigentes da Fed sugeriram que poderiam ter de aumentar o departamento jurídico para as aplicar.

“Estas novas e duras regras elevam o nível da exigência para garantir ao público que servimos que todos os nossos dirigentes seniores se mantêm focados na missão pública da Reserva Federal”, disse o presidente da instituição, Jerome Powell, no texto distribuído.

Powell, que está sob consideração da Presidência Biden para um segundo mandato de quatro anos no cargo, tem estado debaixo de críticas, depois de ter sido divulgado que dois então presidentes de bancos do Sistema da Reserva Federal tinham feito transações em bolsa na primavera passada.

Um, Robert Kaplan, que dirigia o banco da Fed em Dallas, transacionou títulos no montante mínimo de um milhão de dólares em 22 ‘papéis’ no ano passado, incluindo Apple, Facebook e Chevron.

O outro, Eric Rosengren, presidente do banco da Fed em Boston, investiu em fundos de obrigações garantidas por hipotecas imobiliárias do mesmo tipo das que a Fed estava a comprar, no seu esforço de manter as taxas de juro baixas.

Kaplan e Rosengren anunciaram as respetivas demissões pouco depois de esta informação ter sido tornada pública.

O mandato de Powell acaba em fevereiro, mas é esperado que a Casa Branca anuncie uma decisão durante o outono.

O próprio Powell também já recebeu críticas pelos seus investimentos. Antigo sócio do Carlyle Group, uma firma de investimento, Powell possui obrigações municipais.

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Nas notícias lá fora: Fed, cheque-combustível e Evergrande

  • ECO
  • 22 Outubro 2021

A Fed já reagiu ao escândalo de Powell e apertou as regras de conduta e a gigante chinesa Evergrande conseguiu evitar o default que uma grande emissão em dólares que vencia este sábado.

A crise dos combustíveis afeta todas as economias a nível mundial e os governos tentam encontrar soluções para evitar que a escalada dos preços comprometa a retoma pós-pandemia. O Governo francês vai dar a partir de dezembro um “cheque-combustível” único de 100 euros a cerca de 36 milhões de condutores que ganham menos de 2.000 euros por mês. Outra crise foi a gerada pelo facto de o presidente da Reserva Federal Jerôme Powell ter feito importantes transações na bolsa durante a atual crise económica, à semelhança de dois outros ex-dirigentes da instituição. Para evitar que a situação se repita a Fed impôs um conjunto de restrições aos investimentos que os seus dirigentes podem fazer. Outra reação, mas desta feita à decisão do Governo brasileiro de pedir uma autorização para ultrapassar o limite estabelecido pelo teto de gastos para financiar um programa social, foi a demissão dos quatro secretários que lideravam a área orçamental do Ministério brasileiro da Economia, ou seja, os setores diretamente relacionados com os gastos públicos.

The Wall Street Journal

Fed aperta regras éticas para investimentos de dirigentes

A Reserva Federal (Fed) impôs um novo e alargado conjunto de restrições aos investimentos que os seus dirigentes podem fazer, em resposta a transações polémicas recentes que já forçaram duas demissões. O banco central dos EUA anunciou que os seus dirigentes e quadros superiores seriam proibidos de investir em títulos individuais, tanto ações como obrigações. Têm ainda de avisar com 45 dias de antecedência, e esperar pela aprovação, qualquer transação que tencionem fazer. E têm de manter o título em que investiram durante pelo menos um ano. Estes dirigentes e quadros superiores vão ter de vender todas ações e obrigações que agora possuam, bem como qualquer categoria de títulos, incluindo obrigações municipais, que a Fed está a comprar, como parte do seu programa de estímulos económicos.

Leia a notícia completa no The Wall Street Journal (acesso condicionado, conteúdo em inglês)

TF1

França dá a partir de dezembro “cheque-combustível” de 100 euros

França vai dar a partir de dezembro um “cheque-combustível” único de 100 euros a cerca de 36 milhões de condutores que ganham menos de 2.000 euros por mês devido à escalada dos preços do gasóleo e da gasolina. A medida, que abrange trabalhadores dependentes e independentes, desempregados à procura de emprego e reformados, foi anunciada pelo primeiro-ministro, Jean Castex, que, em declarações transmitidas na cadeia de televisão TF1, disse tratar-se de “uma resposta excecional para uma situação excecional”. O apoio financeiro será concedido uma única vez e surge após um crescente descontentamento público com a crise energética global, quando as famílias ainda estão a recuperar dos efeitos económicos da pandemia da Covid-19. Em setembro, o Governo francês prometeu uma assistência financeira de 100 euros para cerca de seis milhões de famílias de baixos rendimentos para as ajudar a pagar as faturas da eletricidade.

Leia a notícia completa na TF1 (acesso livre, conteúdo em francês)

Reuters

Evergrande alinha fundos para pagamento de juros e evitar incumprimento

A gigante chinesa Evergrande enviou 83,5 milhões de dólares para uma conta do Citibank esta quinta-feira, permitindo-lhe pagar a todos os detentores de títulos antes de o prazo terminar (sábado) e entrar em incumprimento, revelou uma fonte citada pela Reuters. Esta notícia deverá trazer um certo alívio aos investidores e reguladores, que estavam preocupados com uma maior repercussão desta dívida nos mercados financeiros globais. Ainda assim, a Evergrande continua sobrecarregada com 300 mil milhões de dólares de dívida e precisa de saldar uma série de outros títulos, cujo prazo se aproxima.

Leia a notícia completa na Reuters (acesso pago, conteúdo em inglês)

Folha de S.Paulo

Ministério brasileiro da Economia já soma quatro demissões

Quatro secretários do Ministério da Economia do Brasil demitiram-se, num momento em que o Governo anunciou que iria pedir uma autorização para ultrapassar o limite estabelecido pelo teto de gastos para financiar um programa social. O Ministério da Economia diz estarem em causa pedidos de demissão “de ordem pessoal”. “O secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, pediram exoneração dos seus cargos ao ministro da Economia, Paulo Guedes. A decisão de ambos é de ordem pessoal”, indica a nota. Também a secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas, e o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araujo, “pediram exoneração de seus cargos, por razões pessoais”. Os quatro secretários comandavam a área orçamental do Ministério, ou seja, os setores diretamente relacionados com os gastos públicos.

Leia a notícia completa na Folha de S.Paulo (acesso livre)

CNBC

CDC dos EUA apoia doses de reforço de vacinas Moderna, Pfizer e Janssen

Um painel consultivo do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americano apoiou a administração de doses de reforço das vacinas da Moderna, Pfizer e Johnson & Johnson (Janssen) contra a Covid-19. De acordo com o CDC, as pessoas podem escolher a vacina de uma farmacêutica diferente para a próxima inoculação. Alguns norte-americanos que receberam vacinas da Pfizer há vários meses já estavam habilitados para realizar um reforço. Agora, os consultores do CDC dizem que as pessoas que foram inoculadas com a Moderna e a Johnson & Johnson também podem receber uma dose reforçada. A agência norte-americana reguladora de medicamentos (FDA) já havia autorizado a campanha de reforço na quarta-feira, mas o CDC, coordenado pelo seu painel consultivo, tem a palavra final sobre o assunto.

Leia a notícia completa na CNBC (acesso livre, conteúdo em inglês)

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Banco de Portugal rejeita proposta do IIBG para comprar Efisa e Banco Português de Gestão

  • ECO
  • 22 Outubro 2021

Banco de Portugal avisou os árabes do IIBG que não estão reunidas as condições de aprovação da compra do BPG e Efisa. Processo cai por terra ao fim de dois anos.

O Banco de Portugal (BdP) considera que não estão reunidas as condições para aprovar a compra da participação qualificada nos bancos Efisa e Banco Português de Gestão (BPG) pelo IIBG Holdings. De acordo com o Jornal Económico (acesso pago), os árabes foram notificados há cerca de uma semana e a Fundação Oriente continua a querer alienar o BPG, já tendo, aliás, novos interessados.

Depois de as Finanças terem dado “luz verde” a esta operação, em fevereiro de 2019, o IIBG enviou o pedido de compra ao BdP, que por sua vez o reencaminharia para o Banco Central de Europeu (BCE), que teria a palavra final. A decisão do BCE é sempre tomada com base na avaliação da proposta de aquisição, mas também no projeto de decisão do BdP, e este considerou não ser um negócio viável.

Uma vez notificados, o IIBG deverá retirar em breve ambas as propostas, caindo, assim, por terra, uma operação que seria fechada por cerca de 27 milhões de euros. Agora, pode voltar para cima da mesa o cenário de a Parparticipadas colocar um ponto final no processo e o Efisa ir para liquidação, mas a decisão caberá ao Ministério das Finanças. Já a Fundação Oriente continua a querer vender o BPG e já tem interessados.

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Hoje nas notícias: Altice, Efisa e ferrovia

  • Joana Abrantes Gomes
  • 22 Outubro 2021

Dos jornais aos sites, passando pelas rádios e televisões, leia as notícias que vão marcar o dia.

Já há cinco interessados numa possível compra da subsidiária Altice Portugal, dona da MEO. O Banco de Portugal rejeitou a proposta do IIBGroup Holdings WLL para comprar dois bancos portugueses. E o antigo ministro de Passos Coelho, Miguel Poiares Maduro, responsabiliza o primeiro-ministro em caso de crise política. Conheça estas e outras notícias em destaque na imprensa nacional esta sexta-feira.

Altice estuda venda da dona da Meo. Há cinco interessados

A Altice Europe está a estudar a venda da Altice Portugal e, por enquanto, há, pelo menos, cinco interessados – Blackstone, CVC Capital Partners, Apollo Global Management e EQT, e ainda a operadora espanhola MásMovil, dona da Nowo. Fontes próximas do processo avaliam a operação em cerca de sete mil milhões de euros.

Leia a notícia completa no Jornal de Negócios (acesso pago)

Supervisor rejeita proposta do IIBG para comprar Efisa e Banco Português de Gestão

O Banco de Portugal (BdP) informou o IIBGroup Holdings WLL (IIBG), do Bahrein, que não estão reunidas as condições para aprovar a compra de uma participação qualificada nos bancos portugueses Efisa (que foi nacionalizado com o BPN) e o Banco Português de Gestão (BPG). Os árabes foram notificados há cerca de uma semana e a Fundação Oriente continua a querer alienar o BPG, já tendo, aliás, novos interessados.

Leia a notícia completa no Jornal Económico (acesso pago)

Em caso de crise política, “a responsabilidade é do primeiro-ministro”, diz Poiares Maduro

Em entrevista conjunta ao Diário de Notícias (acesso pago) e TSF (acesso livre), Miguel Poiares Maduro considerou que “se houver crise política em Portugal a culpa é do primeiro-ministro”. Isto porque, segundo o ex-ministro do Governo de Passos Coelho, António Costa “sempre fechou a porta ao regresso de uma política” com foco no centro, criando uma “bipolarização” ao fazer coligação com o BE e o PCP. Sobre o PSD, Poiares Maduro refere como primeira condição para o regresso ao poder dos social-democratas demonstrar uma vontade de “reformar o sistema político”.

Leia a notícia completa no Diário de Notícias (acesso livre)

Plano Ferroviário Nacional recebeu 318 contributos: metade é sobre o mapa de rede

Terminou em setembro a primeira fase da discussão do Plano Ferroviário Nacional, com a receção de 318 contributos: críticas à Comboios de Portugal (CP), exigência de novas vias férreas, reflexões estratégicas sobre a mobilidade e até a apresentação de projetos técnicos. Só estes últimos representam 78 das propostas recebidas. A grande maioria (292) é de origem particular, enquanto as restantes 26 é de entidades como associações ou municípios.

Leia a notícia completa no Público (acesso pago)

PJ sem diretores em Lisboa e no Norte

A Polícia Judiciária (PJ) está sem diretores na Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, na Diretoria do Norte e na Unidade de Informação Financeira (UIF). Uma associação sindical do setor alerta ainda para a falta de pelo menos um diretor para o departamento disciplinar e outro para a unidade de armamento e segurança. Em alguns casos, a situação arrasta-se há cerca de meio ano, sendo também uma preocupação o estatuto profissional do pessoal da PJ, cuja regulamentação está atrasada há mais de um ano.

Leia a notícia completa na TSF (acesso livre)

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Há cinco interessados em comprar a Altice Portugal

  • ECO
  • 22 Outubro 2021

Blackstone, CVC Capital Partners, Apollo Global Management e EQT, e ainda a MásMovil são potenciais interessados na compra da dona da Meo, diz a Bloomberg.

Não é novo que a Altice Europe está a estudar a venda da Altice Portugal, mas sabe-se agora que há, pelo menos, cinco interessados, todas empresas estrangeiras. De acordo com a Bloomberg, citada pelo Jornal de Negócios, a operação deverá valer cerca de sete mil milhões de euros.

Citando fontes próximas do processo, a agência de notícias refere que a empresa liderada por Patrick Drahi está a reavaliar a operação em Portugal e que, por isso, pondera vender a dona da Meo. Na corrida estão cinco nomes de peso: Blackstone, CVC Capital Partners, Apollo Global Management e a EQT, e ainda a MásMovil, dona da Nowo.

A Altice está a trabalhar com um consultor para “explorar” várias opções para o negócio em Portugal e ainda não foi tomada uma decisão final sobre a alienação ou a manutenção da dona da Meo. Contudo, a mesma fonte consultada pela Bloomberg sublinha que a operação em Portugal não é para ser vendida. Contactos, os potenciais compradores recusaram comentar.

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5 coisas que vão marcar o dia

  • Joana Abrantes Gomes
  • 22 Outubro 2021

Parlamento faz apreciação do relatório final do inquérito ao Novo Banco. Termina o Conselho Europeu, de olhos postos na crise energética. Rui Rio apresenta recandidatura à presidência do PSD.

Assembleia da República aprecia o relatório final do inquérito ao Novo Banco. A comissão política do PS reúne para avaliar a situação política no país. Na oposição, Rui Rio apresenta a recandidatura à liderança do PSD.

Rui Rio anuncia recandidatura à liderança do PSD

Decorre esta sexta-feira a apresentação pública formal da recandidatura de Rui Rio à presidência do PSD. O evento está marcado para as 18h30 no Hotel Sheraton da cidade do Porto. Na terça-feira, ficou confirmado que o atual presidente do PSD vai mesmo tentar manter-se na liderança, confirmação que chegou num comunicado do seu diretor de campanha, Salvador Malheiro. Além de Rui Rio, há outro candidato já anunciado às diretas do partido, marcadas para 4 de dezembro: o eurodeputado Paulo Rangel.

AR aprecia relatório do inquérito ao Novo Banco

O relatório final da comissão parlamentar de inquérito às perdas registadas pelo Novo Banco imputadas ao Fundo de Resolução foi aprovado em julho passado, depois de apenas o PS votar contra. O documento ficou conhecido por “relatório sem relator”, depois da renúncia à função por parte de Fernando Anastácio (PS). Esta sexta-feira, o documento sobe a plenário para apreciação final.

PS reúne comissão política com foco no OE

Sob a batuta do primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, os socialistas reúnem extraordinariamente a sua Comissão Política pelas 21 horas, na sede nacional do partido, no final de uma semana decisiva para as negociações do Orçamento do Estado para 2022. A atual situação política estará em análise, numa altura em que ainda não há acordo para viabilizar a proposta do Governo.

Fim do Conselho Europeu com foco na energia

A crise energética está a fazer-se sentir em toda a Europa e é um dos temas em cima da mesa num Conselho Europeu de dois dias que termina esta sexta-feira. Depois da conclusão dos trabalhos, está prevista uma conferência de imprensa do presidente do Conselho Europeu, Charles Michele, e da presidente da Comissão, Ursula von der Leyen. Na quinta-feira, Portugal assistiu a protestos por causa dos preços dos combustíveis. Na eletricidade, o Governo tomou medidas para garantir que as faturas dos cidadãos e das empresas não disparam no ano que vem.

Banco de Portugal diz como vai a economia

O Banco de Portugal divulga hoje os indicadores coincidentes para a atividade económica e o consumo privado relativos a setembro. Em agosto, estes indicadores continuaram a trajetória ascendente iniciada no mesmo mês do ano passado: a taxa de variação homóloga do indicador para a atividade económica foi de 2,7%, um aumento de 0,1% face aos 2,6% de julho, enquanto a variação homóloga do indicador para o consumo privado passou de 6,8% em julho para 7,1% em agosto.

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De Cascais a Glasgow, ganha esta corrida quem for o mais sustentável

  • Capital Verde
  • 22 Outubro 2021

Ao todo são quase 3.000 kms de corrida, 28 horas de carro, passando por Espanha, França e Reino Unido. Quem chegar primeiro pode não ser o vencedor da Climes to Go.

A corrida Climes to Go arranca esta sexta-feira, 22 de outubro, do Centro de Interpretação da Ponta do Sal, em Cascais, e tem como meta final a cidade escocesa de Glasgow. Ao todo são quase 3.000 kms de corrida, diz o Google e 28 de carro, passando por Espanha, França e subindo todo o Reino Unido até ao norte, até chegar à Escócia.

Mas das três equipas portuguesas em competição nesta corrida não ganha a mais rápida, mas sim a que conseguir fazer a viagem da forma mais sustentável, com menos impacto ambiental e maior impacto positivo nas comunidades.

Cascais é assim o ponto de partida de uma corrida de 12 dias contra o tempo: a Climes to Go, que arranca hoje até Glasgow, a cidade escocesa onde, em novembro, vai decorrer a tão aguardada Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas – COP26.

A iniciativa desafia 12 portugueses — três equipas, compostas por quatro participantes — a fazerem a viagem entre Cascais e Glasgow da forma mais sustentável possível e com o maior impacto positivo nas comunidades.

Os temas escolhidos para as equipas são: água, energia e produção e consumo sustentável. Desta forma, ao longo da viagem, as equipas terão de monitorizar a sua pegada hídrica e carbónica e, ainda, dar resposta a desafios previamente definidos pela organização da corrida.

Cada equipa terá́ um orçamento em “climas”, nome dado à moeda fictícia que avalia as suas escolhas. Os participantes podem perder ou ganhar as moedas de acordo com as opções que escolherem fazer ao longo da viagem.

O consumo de água, os meios de transporte utilizados, a alimentação, o alojamento e a performance ao realizar os desafios e tarefas são os fatores que vão ser avaliados em cada equipa, mas apenas a que terminar a competição com o saldo de “climas” mais elevado será a vencedora.

Diariamente serão monitorizadas as opções de transporte, alojamento, alimentação e consumo de água com vista a determinar o impacto de cada equipa e alertar para a influência dos nossos estilos de vida na nossa pegada de carbono. É a combinação destas escolhas juntamente com as variáveis tempo e dinheiro, que através da moeda “clima” permitirá avaliar as equipas.

Durante a viagem, que termina no dia 2 de novembro, cada equipa vai fazer relatos sobre o percurso, que serão publicados nas redes sociais do projeto e serão, ainda, partilhados pelos próprios participantes na COP26, onde culmina a iniciativa.

Os objetivos da organização passam por mobilizar a sociedade portuguesa para a urgente transição climática, demonstrar que o caminho para a descarbonização rumo à neutralidade é possível, necessário e inevitável, provar que os transportes que usam alternativas aos combustíveis fósseis também são viáveis para percorrer longas distâncias e alertar para a necessidade da adaptação e da criação de hábitos sustentáveis.

A Climes to Go, financiada pelo Fundo Ambiental e outras entidades, é promovida pela Get2C e pela Earth Watchers, em parceria com a Câmara Municipal de Cascais e a Embaixada Britânica, e conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, do Oney Bank e do Grupo Altri.

A cerimónia de partida contou com a presença do ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, e do presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras.

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Pandemia acelera na Europa. Reino Unido, Rússia e países de leste tocam máximos

A pandemia volta a ganhar força na Europa. Reino Unido, Rússia e vários países do leste europeu têm vindo a voltar a bater máximos de infeções e mortes por Covid-19.

Numa altura em que se aproxima a chegada do Inverno, a pandemia volta a ganhar força na Europa. Reino Unido, Rússia e vários países do leste europeu, com baixas taxas de vacinação, voltaram a bater máximos de infeções e mortes por Covid-19.

O alerta foi dado pela Organização Mundial de Saúde (OMS): na última semana, houve cerca de 2,7 milhões de novos casos de Covid-19 e mais de 46.000 mortes face à semana anterior. Trata-se, portanto, de um aumento de 7% no número de infeções, sendo que este indicador tem vindo a subir há três semanas consecutivas.

Apesar de mais de metade dos países europeus estar a registar um aumento de novos casos — incluindo Portugal, que, entre 11 e 17 de outubro, registou 4.494 novos casos, ou seja, mais 296 casos do que na semana anterior (um aumento de cerca de 7%) –, a entidade liderada por Tedros Adhanom Ghebreyesus salienta que o Reino Unido, Rússia e Turquia foram os responsáveis pela maioria dos casos.

Em termos absolutos, o Reino Unido tem vindo a registar, em média, entre 40 mil a 50 mil novos casos por dia, o que coloca o país em máximo desde meados de julho. Esta subida de infeções está a preocupar as autoridades de saúde, pelo que os responsáveis pedem ao Governo de Boris Johnson que avance para o “plano B”, voltando a implementar algumas restrições, escreve o The Guardian. Face à escalada de infeções, o ministro britânico da Saúde já veio admitir que o país pode chegar aos 100 mil casos diários, mas reitera que o Governo não vai, para já, implementar o “plano B”.

A adensar as preocupações relativas ao aumento de novos casos está ainda uma nova variante, AY.4.2, cujos especialistas acreditam que seja uma nova mutação da variante Delta e que está a ganhar tração em Inglaterra. Na semana que arrancou a 27 de setembro, foram associados a esta mutação AY.4.2 cerca de 6% dos novos casos, segundo o relatório divulgado pela Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido, citado pelo mesmo jornal britânico.

Já a Rússia desde a semana passada que tem vindo a bater novos máximos de óbitos, tendo registado na quarta-feira um novo recorde, com 1.028 mortes nas últimas 24 horas. Além disso, foram registadas 34.073 novas infeções nas 85 regiões do país nessas 24 horas, segundo os dados citados pela Lusa.

Recorde-se que no Reino Unido há já 67,7% da população com a vacinação completa contra a Covid, ao passo que na Rússia essa fasquia cai para 31,7%, de acordo com a monitorização feita pelo Our World in Data.

Baixa taxa de vacinação no leste da Europa está a fazer disparar infeções

Também no leste europeu, vários países têm registado recordes de infeções ou mortes associadas à Covid, acompanhando a tendência vivida na Rússia. É o caso da Ucrânia, que na terça-feira registou 538 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, o número diário mais elevado desde o início da pandemia. De sublinhar que este é um dos países da Europa com menor taxa de vacinação (apenas 15% da população está completamente imunizada) e que atualmente o governo ucraniano luta para combater os certificados de vacinação ou teste falsos, depois de ter decidido implementar esta obrigatoriedade para quem quiser viajar de comboio, escreve o The New York Times.

A baixa taxa de inoculações está também a refletir-se num aumento de casos na Letónia. O país liderado por Egils Levits tem atualmente uma das taxas de infeção mais elevadas a nível mundial (mais de 1.116 casos por milhão de habitantes, a sete dias), pelo que o Governo decidiu fechar escolas, restaurantes e espaços de lazer e impor recolher obrigatório durante cerca de um mês.

A baixa taxa de vacinação também está a afetar a Bulgária, que tem uma taxa de infeção de superior a 400 casos por milhão de habitantes e uma taxa de mortalidade de 14,8 mortes por dia, em média, nos últimos sete dias, ou seja, a segunda maior do “velho continente”. Neste país, só 20% da população tem a vacinação completa contra a Covid, o que a coloca como o país da UE com menor taxa de cobertura vacinal.

Média de novos casos em cada país da União Europeia, nos últimos sete diasFonte: Our World in Data

Ao mesmo tempo, também na Polónia o Governo está a ponderar endurecer as medidas, depois de o país ter registado 5.000 infeções num só dia, um máximo desde maio de 2021. Já na Sérvia, após várias semanas a ultrapassar máximos de infeções diárias e cerca de 50 mortes por dia, o governo decidiu adotar os certificados Covid para acesso a restaurantes, bares e discotecas.

Já a Roménia, com cerca de 30% da população vacinada, em atualmente a quarta maior taxa de infeção a nível da UE (79,38 casos por milhão de habitantes) e a maior taxa de mortalidade associada à Covid na UE (média de cerca de 19 mortes por dia, nos últimos sete dias).

Ainda pela Europa, a Turquia tem uma taxa de infeção superior a 350 casos por milhão de habitantes, a sete dias, sendo que na semana passada registou 30.563 casos num só dia, um máximo desde abril. Neste país, pouco mais de metade da população (56,4%) tem a vacinação completa contra a Covid.

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Dona da Tide e Gillette deixa subidas de preços em Portugal “ao critério do retalhista”

Dona de marcas como Tide, Gillette e Oral-B vai aumentar preços nos EUA, por causa dos custos elevados das matérias-primas e do transporte. Em Portugal, alterações ficam "ao critério do retalhista".

A P&G detém marcas icónicas como Tide, Gillette e Oral-BMike Mozart via Flickr

A Procter & Gamble (P&G), produtora de produtos icónicos de grande consumo — como o detergente Tide, as lâminas de barbear Gillette e os produtos Oral-B –, anunciou que vai aumentar os preços de alguns produtos icónicos nos EUA, por causa do aumento de custos relacionados com a cadeia de abastecimento. Quanto a Portugal, porém, a empresa recusa “especular sobre futuras alterações” e deixa “ao critério do retalhista”.

“No anúncio sobre os resultados de ontem [terça-feira], a P&G mencionou aumentos de preços em certos produtos de higiene oral, cuidados de pele e higiene pessoal para a América do Norte. Em Portugal, não podemos especular sobre futuras alterações de preços, ou sobre a evolução dos mercados no futuro”, disse ao ECO fonte oficial da empresa.

A mesma fonte sublinha que “todas as decisões em matéria de preços ficam exclusivamente ao critério do retalhista”. Ou seja, são os grupos de retalho que detêm as grandes superfícies comerciais a decidir se aumentam os preços destes produtos.

De acordo com a Reuters, a pesar na decisão da P&G nos EUA está o aumento dos custos das matérias-primas e de transporte. Esta despesa aumentou de 1,9 mil milhões para 2,3 mil milhões de euros no ano fiscal. “Não antecipamos um alívio nestas pressões do custo das matérias-primas”, disse o administrador financeiro, Andre Schulten.

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Um guia para fugir à “armadilha do rendimento intermédio”

Baixar o IRC, autonomia para os reguladores e mais concorrência entre universidades são três das propostas apresentadas no estudo da FFMS, coordenada pelo economista Fernando Alexandre.

A redução de IRC, mais autonomia para os reguladores e incentivos para novos cursos universitários são algumas das medidas que podem ajudar a economia portuguesa a escapar da “armadilha dos países de rendimento intermédio”, argumenta um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), coordenado pelo economista Fernando Alexandre. Com o moteDo made in ao created in: um novo paradigma para a economia portuguesa”, este estudo propõe uma série de recomendações para desenvolver a economia de Portugal. Isto num contexto em que se pode ter caído na “armadilha dos países de rendimento intermédio”, sem conseguir avançar.

Esta condição é evidenciada por aspetos como a “longa estagnação e a interrupção do processo de convergência” com a União Europeia, com a entrada no século XXI. Existe também uma grande distância entre a produtividade das ‘empresas fronteira’ nacionais e europeias”, isto é, entre o grupo de empresas que se encontra no topo em termos de produtividade e o resto da economia.

Já para sair da tal armadilha só é possível “atribuindo ao conhecimento, às qualificações e à inovação um lugar central no processo de criação de riqueza”, reitera o grupo de economistas que trabalhou neste estudo. Por um lado, seria necessária a “criação de um ambiente económico que favoreça o nascimento e o crescimento de empresas inovadoras”, sendo que a mudança de paradigma exige também “investimento em ativos físicos e intangíveis, colocando desafios às formas e fontes de financiamento para as empresas”.

Uma das recomendações de políticas públicas passa por “eliminar a desvantagem de Portugal em termos fiscais face aos seus concorrentes diretos na atração de IDE reduzindo a taxa de IRC através da eliminação da derrama estadual”. Esta sugestão surge numa altura em que se está a chegar a acordo para uma taxa global de IRC mínima, nos 15%, mas que fica ainda assim abaixo daquela praticada em Portugal.

No estudo coordenado pelo professor da Universidade do Minho, nota-se também que Portugal “pertence ao grupo de países da UE com menor participação nas cadeias globais de valor. Este é um aspeto que se deveria mudar, já que a maior participação nas cadeias globais de valor parece estar positivamente associada ao crescimento dos fluxos de investimento direto estrangeiro ao nível dos setores de atividade“.

Há ainda um conjunto de sugestões para as infraestruturas, que passam por alguns pontos que já têm sido discutidos mas estão ainda por avançar, como garantir uma cobertura 5G em todo o território ou reforçar as linhas de metro e comboio nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Estas recomendações incluem também uma melhoria da eficiência dos serviços aduaneiros de portos e aeroportos, bem como a redução em 50% os tempos de viagem ferroviária no eixo Setúbal-Lisboa-Porto-Braga-Vigo até 2030.

O estudo debruça-se também sobre as qualificações e, no caminho para tal, as instituições de ensino superior. “Mais concorrência entre as instituições de ensino superior, um sistema de alocação de vagas e de incentivos que resultasse numa realocação de vagas entre áreas científicas, poderia tornar o sistema mais rápido na resposta à procura e às necessidades da economia“, defendem.

Para além disso, importam também as áreas nas quais há formação disponível, pelo que a “abertura de novos cursos em áreas emergentes e o aumento de vagas nos cursos com maior procura deve ser estimulada com o reforço do financiamento das instituições de ensino superior”.

Energias renováveis e PRR são “ventos favoráveis” para Portugal

Olhando para o paradigma atual, existem alguns fatores que se apresentam como “ventos favoráveis” para o desenvolvimento de Portugal atualmente. A mudança para as energias renováveis é um deles, já que Portugal detém “recursos naturais abundantes”. Já os fundos europeus, que chegam para o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), são outra oportunidade.

No paradigma energético, para o país conseguir beneficiar das mudanças, “necessita de ter investigação e inovação de referência em energias renováveis e de se tornar relevante no desenvolvimento e produção de tecnologias nessas áreas e em áreas afins, como a das baterias”, sinaliza o estudo.

Quanto aos fundos europeus que Portugal terá disponível nesta década, que compreendem nomeadamente o PRR, representam um “influxo de enormes quantias de fundos da União Europeia, que provavelmente só tem paralelo com a exploração do ouro do Brasil na primeira metade do século XVIII”, e que poderá ser um “importante motor de apoio à economia portuguesa”.

Para além disso, o estudo identifica também outros dois ventos que sopram a favor de Portugal: a melhoria dos níveis de educação, que representa um “enorme potencial desenvolvimento” por ainda não se ter refletido na produtividade, e o eventual alargamento da plataforma continental, cuja proposta já foi submetida às Nações Unidas.

No inverso da moeda, há também ventos adversos que deverão ser contrariados: o endividamento público e privado, que foi agravado pela pandemia, e o envelhecimento da população, que apesar de ser um desafio global, é acentuado na sociedade portuguesa, que está entre os mais acelerados da UE.

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BCP vende mais 100 milhões de malparado e imóveis

Banco colocou à venda o "Projeto Lúcia", composto por NPL (60 milhões) e ativos imobiliários (50 milhões).

O BCP continua o seu esforço na limpeza do balanço. O banco liderado por Miguel Maya colocou agora à venda uma carteira de malparado e imóveis no valor de cerca de 100 milhões de euros, segundo adiantaram fontes do mercado ao ECO.

O processo está a ser conduzido pela KPMG, sendo que o designado “Projeto Lúcia” integra cerca de 60 milhões de euros em NPL (non perfoming loans) e 50 milhões em REO (real estate owned), detalhou uma das fontes. Contactada pelo ECO, a instituição não fez comentários.

Esta não é a única carteira que o BCP tem no mercado. Conforme avançou o ECO em agosto, o banco pôs à venda o Projeto Green, no valor de cerca de 160 milhões de euros, e que era composta por NPL e REO dos resorts de luxo Castro Marim e Monte Rei, ambos localizados no Algarve.

Entretanto, em relação a esta operação, os ativos do resort de Castro Marim foram excluídos da carteira, ao que tudo indica por causa dos baixos valores oferecidos pelos investidores. Mantêm-se os ativos do Monte Rei, mas também não é certo que o negócio seja concluído devido às ofertas que estão em cima da mesa, disse uma das fontes ao ECO. O banco recebeu apenas propostas do Bank of America Merrill Lynch e da Bybrook.

É conhecida a postura negocial de Miguel Maya, que só aceita vender se for um bom negócio para o banco, e sem descontos que possam gerar perdas. “Se as condições compararem bem com as recuperações via orgânica, vendemos, caso contrário não vendemos”, disse recentemente o CEO do BCP na última conferência de apresentação de resultados. O facto de o banco apresentar um rácio de NPL de 2,5%, um dos mais baixos do sistema, reforça a posição negocial de Miguel Maya.

Neste momento, são vários os bancos que têm carteiras de ativos problemáticos à venda, incluindo o Novo Banco, a Caixa Geral de Depósitos e o Banco Montepio. Um dos maiores processos tem a ver com os fundos de reestruturação da ECS Capital, num negócio avaliado em cerca de 900 milhões de euros e que tem dois investidores na corrida: Davidson Kempner e o consórcio Bain/Cerberus.

O BCP apresenta as contas do terceiro trimestre no próximo dia 27. O banco chegou a junho com lucros de 12,3 milhões de euros, penalizados pelos custos de reestruturação e pelas provisões para os riscos legais com o tema dos créditos hipotecários em francos suíços na Polónia.

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Banco Montepio põe à venda carteira de malparado de 300 milhões

Banco está a estudar transferência de de 1.000 milhões em ativos problemáticos para um veículo. Enquanto operação não avança, pôs à venda uma carteira de malparado de 300 milhões, apurou o ECO.

Novo Banco, BCP, Caixa Geral de Depósitos e agora… Montepio. O banco liderado por Pedro Leitão também está no mercado para vender uma carteira de malparado com o valor contabilístico bruto de 300 milhões de euros, de acordo com as informações recolhidas pelo ECO.

Em causa está o chamado “Projeto Gerês”, uma carteira de crédito em incumprimento granular, cujo processo está a ser gerido pela KPMG, adiantaram duas fontes do mercado ao ECO. O montante de 300 milhões diz respeito ao valor dos créditos em termos brutos, isto é, não inclui as imparidades registadas pelo banco para este conjunto de contratos de empréstimos.

São vários os bancos com carteiras de ativos problemáticos no mercado, em alguns casos em fases mais avançadas, numa altura em que se preparam para o impacto do fim das moratórias bancárias. Mas esta operação reveste-se de especial importância para o Banco Montepio, que tem um dos rácios de ativos tóxicos mais elevados do sistema português.

A instituição financeira, controlada pela Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), chegou a junho com um rácio de NPE (non performing exposure) de 9,3%, segundo as contas do segundo trimestre. Isto quando o sistema bancário apresenta um rácio de NPL (nonperformingloans) de 4,3% na mesma data, abaixo dos 5% exigidos pelas autoridades europeias.

Na semana passada, os analistas da Fitch destacaram que o elevado nível de ativos problemáticos deixa o Montepio em posição de maior vulnerabilidade em relação aos outros bancos na transição para o fim das moratórias.

Contactado pelo ECO sobre esta operação, o banco não quis fazer qualquer comentário.

O banco avança para esta transação numa altura em que, juntamente com o acionista AMMG, se encontra a estudar a transferência de uma carteira de malparado e imobiliário entre os mil milhões e os dois mil milhões de euros para um veículo financeiro especializado, conforme o ECO revelou em primeira mão em março.

O objetivo passa por desconsolidar uma carteira de ativos tóxicos (carve-out) de forma a libertar capital no banco.

Esta solução ainda se encontra em estudo, sendo que o presidente da mutualista, Virgílio Lima, adiantou ao Jornal de Negócios (acesso pago) que o veículo estará pronto até final do ano, mas a operação ainda está dependente da “luz verde” do Banco de Portugal, que tem pressionado o grupo a encontrar uma solução estrutural para o problema do malparado.

“Conceptualmente está tratado. É um trabalho que se prolongou mais do que esperávamos inicialmente, mas há aqui que fazer avaliações exaustivas de muitos imóveis, do seu valor atual e potencial também destes créditos. (…) Mas antes de podermos implementar seja o que for, tudo isto tem de ser sancionado pelos supervisores do banco, sendo que os supervisores do grupo também estão a acompanhar esta situação”, disse Virgílio Lima em entrevista ao jornal.

O banco, que tem em curso um plano de reestruturação que está a implicar a saída de centenas de trabalhadores e o fecho de dezenas de agências, registou prejuízos de 33 milhões de euros no primeiro semestre. Virgílio Lima antecipou que a instituição financeira vai fechar o ano com prejuízos de “dezenas de milhões de euros”.

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