Kwanza, leis laborais e clima. Os 21 riscos da Mota-Engil a conhecer antes de investir nas obrigações

Construtora avança com uma emissão de 75 milhões de euros em dívida ao retalho. No entanto, todas as operações de mercado têm riscos. Estes são os que a empresa identifica para a colocação.

A Mota-Engil vai emitir nova dívida para pequenos investidores. São 75 milhões de euros captados através de obrigações a cinco anos, oferecendo uma taxa de juro bruta de 4,375%. Em simultâneo, a empresa vai avançar duas operações de troca de dívida também de retalho já existente: quem tem títulos que venciam em 2020 e 2021 podem trocá-los por outros com prazo em 2023 e 2024.

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No prospeto das operações — que vão decorrer entre segunda-feira, 14 de outubro, e sexta-feira, 25 de outubro –, a empresa é obrigada a definir todos os riscos possíveis, que vão desde o câmbio às leis dos países onde opera, passando pela liquidez das obrigações. O ECO sintetizou os 21 riscos identificados pela construtora portuguesa presentes nas 195 páginas do prospeto e que os aforradores devem conhecer antes de investirem.

1. Riscos do setor… e dos mercados onde opera

A Mota-Engil está exposta a riscos específicos dos setores e mercados em que atua na Europa, África e América Latina. “O cumprimento das obrigações assumidas pela Mota-Engil depende dos fundos disponibilizados pelas sociedades nas quais participa e através das quais desenvolve indiretamente atividades, incluindo a título de distribuição de dividendos, pagamento de juros, reembolso de empréstimos concedidos ou outros pagamentos”, alerta.

2. Exposição a países ou mercados emergentes

“Tendo em consideração a sua forte presença em países africanos e latino americanos, alguns dos quais marcados por instabilidade política e social, com especial destaque para o seu rating, bem como o peso relativo de certos mercados emergentes e das carteiras destas regiões no total da carteira do grupo Mota-Engil, a ocorrência de riscos daquela natureza, aferidos sob diferentes dimensões relativamente a cada mercado no qual as empresas do grupo Mota-Engil atuam, expõem o grupo Mota-Engil a alterações ou perturbações específicas e próprias de tais mercados”.

3. Dependência de investimento público e privado em cada mercado

O investimento público em novos projetos de infraestrutura depende dos ciclos políticos de cada mercado, das respetivas políticas orçamentais em vigor a cada momento, bem como do contexto macroeconómico, fatores que o emitente e oferente não controla nem pode condicionar. Também o investimento em parcerias público-privadas está dependente da estratégia de investimento público de cada mercado e das condições dos mercados financeiros nacionais e internacionais.

4. Mota-Engil pode ser alvo de aquisição

A empresa tem como principal acionista a FM – Sociedade de Controlo, SGPS, S.A., à qual é imputável a maioria dos direitos de voto. Assim, “uma eventual aquisição ou alteração relevante de controlo da Mota-Engil por um seu acionista (atual ou futuro) poderá ter um impacto importante na estratégia“.

António Mota e as irmãs no aniversário dos 30 anos da Mota-Engil na bolsa portuguesa.Paula Nunes

5. Riscos financeiros associados à diversificação geográfica

Pela sua diversificação geográfica, com presença em três continentes e 28 países, o grupo está “exposto a uma variedade de riscos financeiros, merecendo especial enfoque os riscos de crédito, liquidez, taxa de câmbio e taxa de juro“. Estes riscos financeiros resultam do desenrolar das atividades da Mota-Engil e induzem incertezas quanto à capacidade de geração de fluxos de caixa e de retornos adequados à remuneração dos capitais próprios.

6. Geografias diferentes aumentam risco cambial

As principais moedas que não o euro a que a atividade da Mota-Engil está exposta são o dólar americano, o kwanza angolano, o peso mexicano, o novo sol peruano, o real brasileiro, o zloty polaco, o metical moçambicano, o kwacha malawiano, o rand sul africano e o peso colombiano. O risco de taxa de câmbio tem duas formas: de transação associado aos fluxos de tesouraria e aos valores dos instrumentos financeiros registados na demonstração da posição financeira e de translação associado a flutuações no valor do capital investido nas empresas estrangeiras do grupo, devido a alterações de taxas de câmbio.

7. Riscos legais decorrentes do exercício da própria atividade da construtora

Em virtude de se encontrar presente e desenvolver atividade em diferentes mercados, o grupo está sujeito a uma multiplicidade de leis e regulamentos. Este cenário expõe-o a obrigações e deveres jurídicos cujo risco pode não ter sido devidamente avaliado e/ou minimizado, o que, por sua vez, pode originar impactos financeiros adversos ou o aumento da litigância.

8. Pela natureza das atividades, a Mota-Engil está exposta a risco de crédito

O risco de crédito prende-se com o risco de não receber ou não receber integralmente, os créditos sobre terceiros nos prazos estabelecidos e/ou negociados para o efeito. Este risco de crédito tem natureza operacional e de tesouraria e prende-se, sobretudo, com as contas a receber decorrentes do desenvolvimento normal das diversas atividades, merecendo especial atenção nas atividades de prestação de serviços na região de África, em particular pelo mercado de Angola.

9. Risco de liquidez ou capacidade de cumprir prazos

O risco de liquidez prende-se com a potencial falta de capacidade das empresas da Mota-Engil para liquidar ou cumprir obrigações no prazo estipulado. As empresas do grupo dedicam-se à área de engenharia e construção e apresentam necessidades de liquidez mais importantes, dado os prazos de pagamento verificados na indústria desde o momento em que os trabalhos são executados até à sua conversão em inflow. “Assim, a liquidez disponível é relevante para um correto financiamento do investimento a realizar e/ou para acautelar as necessidades de fundo de maneio requeridas pela operação”.

10. Política monetária compromete taxa de juro variável

A dívida financeira da Mota-Engil, maioritariamente denominada em euros, encontra-se indexada a taxas de juro cujas variações podem resultar em perdas. O nível da exposição a risco de taxa de juro variável será mais importante caso a política monetária conduzida pelos bancos centrais se torne mais restritiva em comparação com o guidance verificado nos últimos anos.

11. Disposições legais relativas à saúde, à segurança no trabalho e a riscos laborais podem mudar

O desenvolvimento da atividade da Mota-Engil está sujeito a disposições legais relativas à saúde, à segurança no trabalho e a riscos laborais. No setor de atividade onde o opera, “a sinistralidade laboral assume um caráter absolutamente incontestável, estando o grupo Mota-Engil sujeito a disposições legais relativas à saúde, à segurança no trabalho e a riscos laborais”.

12. Legislação nos vários países de atividade também

As atividades da Mota-Engil podem ser afetadas pela legislação e regulamentação aplicável nos vários mercados em que opera. Considerando a sua presença em diferentes mercados, o grupo não controla o fluxo de alterações/reforço de obrigações e/ou outras definições regulatórias a que está sujeito, ou eventuais alterações de interpretação dessas obrigações e/ou outras definições regulatórias.

13. Riscos ambientais podem resultar em multas ou sanções

O desenvolvimento da atividade da Mota-Engil está exposto a riscos ambientais, relacionados com a captação e utilização de água, materiais sobrantes não incorporados nos trabalhos realizados, impactos na biodiversidade, emissões diretas e indiretas de gases com efeitos de estufa e outros, efluentes e resíduos, e outros impactos ambientais decorrentes dos produtos e serviços prestados. Os riscos ambientais a que as empresas do grupo Mota-Engil estão expostas podem materializar-se em multas e sanções a aplicar por entidades governamentais, impactos reputacionais negativos, penalidades previstas em contratos com clientes e custos de remediação dos impactos ambientais originados.

14. Falhas de IT podem levar a ataques cibernéticos

A atividade da Mota-Engil poderá ser afetada por falhas dos sistemas tecnológicos e da segurança dos sistemas de informação. Eventuais falhas dos sistemas tecnológicos e da segurança dos sistemas de informação, poderão tornar vulneráveis as empresas do Grupo Mota-Engil a riscos de ataques cibernéticos que possam comprometer os dados pessoais retidos pelas empresas, dados contabilísticos e financeiros e informação estratégica. Eventuais falhas dos sistemas tecnológicos e da segurança dos sistemas de informação poderão expor as empresas do grupo Mota-Engil a multas e sanções a aplicar pelos reguladores, custos de recuperação de informação, e disrupção nas áreas de suporte e nas atividades operacionais.

Gonçalo Moura Martins, CEO da Mota-Engil.Paula Nunes/ECO

15. Riscos específicos da emissão de Obrigações Mota-Engil 2024

Quanto aos riscos relacionados especificamente com as Obrigações Mota-Engil 2024, há o risco de crédito do emitente e oferente, pelo que o pagamento integral e atempado de juros e o reembolso do capital relativo às Obrigações Mota-Engil 2024 encontram-se dependentes da capacidade de realizar esses pagamentos na data devida. “Em conformidade, caso o Emitente e Oferente venha a estar exposto a dificuldades para honrar os seus compromissos e obrigações inerentes às Obrigações Mota-Engil 2024, e dado que as mesmas não têm associadas quaisquer garantias prestadas pelo emitente e oferente ou por terceiro, os titulares de Obrigações Mota-Engil 2024 terão um crédito comum sobre o Emitente e Oferente e, num cenário de insolvência do Emitente e Oferente, poderão perder a totalidade dos montantes por si investidos e não receber a remuneração que lhes seria devida”.

16. Negociação das obrigações no mercado não é garantida

Foi solicitada a admissão à negociação das Obrigações Mota-Engil 2024 no mercado regulamentado Euronext Lisbon, pelo que os investidores poderão transacioná-las livremente em mercado regulamentado, uma vez admitidas à negociação, ou fora de mercado, após a respetiva emissão, ou seja, após 30 de outubro de 2019. Porém, a admissão não garante, por si só, uma efetiva liquidez das Obrigações Mota-Engil 2024.

17. Obrigacionistas vinculados a decisões do grupo

As condições das Obrigações Mota-Engil 2024, bem como a legislação e regulamentação aplicáveis, contêm regras sobre convocação de assembleias de Obrigacionistas para deliberar acerca de matérias que afetem os seus interesses em geral. Aquelas regras preveem que a tomada de decisões com base em certas maiorias vincule todos os obrigacionistas, incluindo aqueles que não tenham participado nem votado numa determinada assembleia e aqueles que tenham votado em sentido contrário à deliberação aprovada.

18. Troca também tem riscos

Já sobre as ofertas de troca, existe também risco de iliquidez das Obrigações Mota-Engil 2020 e das Obrigações Mota-Engil 2021 que não sejam objeto de troca. Após a data de liquidação, a liquidez dos títulos que não tenham sido trocados poderá ser mais reduzida apesar de continuarem a estar admitidas à negociação respetivamente nos mercados regulamentados Euronext Lisbon e Bourse de Luxembourg.

19. Mota-Engil não é obrigada a voltar a recomprar obrigações

Por outro lado, há o risco de indisponibilidade do oferente para adquirir as duas linhas de obrigações com prazos em 2020 e 2021 que não forem trocadas. “Ao realizar as ofertas públicas de troca, a Mota-Engil apresenta aos respetivos destinatários uma proposta para a aquisição, mediante troca, de Obrigações Mota-Engil 2020 e/ou de Obrigações Mota-Engil 2021 por Obrigações Mota-Engil 2024 nos termos que se encontram previstos na lei e no prospeto e não se obriga a realizar no futuro qualquer proposta de aquisição a qualquer título“.

20. Valor das obrigações pode mudar consoante o mercado

Existe ainda o risco de inadequação das Obrigações Mota-Engil 2020 e/ou das Obrigações Mota-Engil 2021 face às Obrigações Mota-Engil 2024 tendo em conta as diferenças de maturidade e de duration. O valor de mercado dos novos títulos deverá apresentar uma maior sensibilidade a variações nas taxas de juro de mercado do que o valor de mercado das obrigações anteriores. “Em particular, se as taxas de juro de mercado subirem, é expectável que o valor de mercado das Obrigações Mota-Engil 2024 venha a ser afetado de forma mais negativa do que o valor de mercado das Obrigações Mota-Engil 2020 e das Obrigações Mota-Engil 2021″.

21. Pouca liquidez para quem não trocar

Por último, há o risco associado à variação dos termos de troca no mercado secundário. O oferente não pode assegurar “que a valorização de cada Obrigação Mota-Engil 2020 e/ou de cada Obrigação Mota-Engil 2021 para fins de troca permaneça superior ao seu preço médio de fecho em mercado secundário”, que o diferencial positivo entre as taxas de rentabilidade das várias linhas de obrigações “seja adequado às características específicas do emitente” ou que “a cotação de mercado das Obrigações Mota-Engil 2024, no momento e/ou após a sua admissão à negociação, não seja inferior ao valor considerado nos termos de troca, ou seja, ao seu valor nominal”.

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Mota-Engil multiplica lucros por 12. Volta aos dividendos

A construtora encerrou 2018 com lucros de 24 milhões de euros. Vai voltar a pagar dividendos, sendo o mínimo a distribuir de 50% dos resultados líquidos obtidos.

A Mota-Engil aumentou exponencialmente os lucros. Multiplicou por 12 o valor obtido em 2017, chegando aos 24 milhões de euros, num ano em que as receitas dispararam para recorde. Perante estes resultados, a empresa revela que vai voltar a pagar dividendos aos seus acionistas.

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Depois de ter apresentado resultados líquidos de apenas dois milhões em 2017, a construtora elevou os lucros para 24 milhões no ano passado. Parte deste valor será distribuído pelos investidores. Apesar de não apresentar um valor, a construtora revela que entregará entre 50% e 75% dos lucros.

O EBITDA continua a aumentar, tendo crescido 11%, para 409 milhões de euros, isto num ano em que as receitas cresceram 12% para um valor recorde. O volume de negócios da empresa liderada por Gonçalo Moura Martins ascendeu a 2.818 milhões de euros.

A América Latina gerou maior parte das receitas da empresa, crescendo acima das restantes geografias. Contudo, a Mota-Engil destaca, no comunicado enviado à CMVM, que “o segundo semestre do negócio em África revelou um forte crescimento, uma tendência que deverá continuar em 2019”.

A carteira de encomendas da Mota-Engil está em 5,5 mil milhões de euros, devendo manter-se “acima do patamar dos 5 mil milhões este ano”, refere a empresa.

Com o investimento a ascender a 287 milhões de euros, a dívida líquida da Mota-Engil aumentou. Terminou o ano em 953 milhões de euros, representando 2,3 vezes o EBITDA gerado. O custo médio da dívida encolheu de 5,6% para 5%.

(Notícia atualizada às 8h06 com mais informação)

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Ações da Mota-Engil sobem 4%. BPI vê construtora “em boa posição” na expansão do aeroporto de Lisboa

BPI diz que Mota-Engil está "em boa posição" para ficar com a obra do aeroporto do Montijo. Mas construtora também poderá ganhar com aumento do tráfego nas pontes sobe o Tejo que explora com a Vinci.

A Mota-Engil é uma das estrelas da bolsa nacional neste arranque de ano. Valoriza já mais de 10% em 2019. Esta quarta-feira, a construtora portuguesa volta a ser um dos destaques no PSI-20, negociando em alta 4%. Os analistas do BPI/CaixaBank colocam a empresa em “boa posição” para integrar o consórcio para o novo projeto de expansão aeroportuária em Lisboa, num investimento que vai superar os 1.700 milhões de euros.

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As ações da Mota-Engil estão a subir 3,83% para 1,79 euros, no melhor desempenho do principal índice português. Mais de 350 mil títulos tinham sido transacionados apenas na primeira hora de negociação em Lisboa, metade da média diária dos últimos 12 meses, o que dá conta do forte apetite comprador dos investidores.

A construtora está a recuperar de um mau 2018, ano em que perdeu metade do seu valor em bolsa. E ganha agora um novo impulso que pode consolidar esta trajetória favorável no novo ano. O Governo e a concessionária de aeroportos ANA assinaram esta terça-feira o memorando de entendimento para a expansão aeroportuária na capital portuguesa e que passa pelo alargamento do aeroporto Humberto Delgado e pela construção de um novo aeroporto na base militar do Montijo, do outro lado do Rio Tejo.

O investimento vai atingir os 1.747 milhões de euros, integralmente financiados pela concessionária detida pelos franceses da Vinci durante o período da concessão que vai até 2062.

"Em relação à construção, ainda não é claro se será lançado um concurso público para a seleção de um consórcio de construção ou se o projeto será diretamente entregue a um consórcio pela ANA/Vinci. Em ambos os cenários, vemos a Mota-Engil em boa posição para integrar o consórcio de construção.”

BPI/CaixaBank

Os analistas do BPI/CaixaBank consideram que a construtora liderada por Gonçalo Moura Martins poderá ser um dos grandes vencedores do projeto. Por duas razões: o novo aeroporto em Montijo “vai aumentar o tráfego numa das suas principais concessões (Lusoponte) e acreditamos que a Mota-Engil (a principal construtora em Portugal) está também em boa posição para integrar o consórcio de construtoras deste grande projeto”, disseram numa nota de research publicada esta terça-feira.

O banco de investimento lembra que a Vinci é parceira da Mota-Engil na Lusoponte, que detém a concessão das duas pontes sobre o Tejo com ligação direta à capital portuguesa, e “serão cruciais para a ligação entre o centro de Lisboa e o novo aeroporto do Montijo”.

“Em relação à construção, ainda não é claro se será lançado um concurso público para a seleção de um consórcio de construção ou se o projeto será diretamente entregue a um consórcio pela ANA/Vinci. Em ambos os cenários, vemos a Mota-Engil em boa posição para integrar o consórcio de construção“, rematou o BPI/CaixaBank, que atribui um preço-alvo de 3,10 euros às ações da construtora.

Nota: A informação apresentada tem por base a nota emitida pelo banco de investimento, não constituindo uma qualquer recomendação por parte do ECO. Para efeitos de decisão de investimento, o leitor deve procurar junto do banco de investimento a nota na íntegra e consultar o seu intermediário financeiro.

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Mota-Engil soma e segue. Ações sobem mais de 16% em três sessões

A construtora recupera de mínimos, animada pelo entusiasmo dos investidores com emissão de dívida para o retalho. Dispara, mas o saldo no ano continua a ser negativo em mais de 50%.

Vem de mínimos mas está a subir de vento em popa. Nas últimas três sessões, num período marcado pelo sucesso da emissão de obrigações junto dos investidores de retalho, a Mota-Engil registou uma valorização de 16,46%. As perspetivas de crescimento do negócio ajudam a puxar pelas ações que, ainda assim, continuam a acumular uma queda de mais de 50% desde o início do ano.

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Se na primeira sessão da semana os títulos da empresa liderada por Gonçalo Moura Martins valorizaram mais de 7%, estão agora a a somar 6,50% para os 1,736 euros, registando a maior subida entre as cotadas do PSI-20. Chegaram a tocar nos 1,74 euros durante a negociação.

Esta forte subida dos títulos acontece num período marcado pela emissão de dívida da construtora. A procura dos aforradores superou a oferta em 30 milhões de euros, ascendendo a 140 milhões de euros. Um resultado que levou o CEO da construtora a afirmar que até ficou arrependido de não ter aumentado ainda mais a oferta.

“A forte procura traduz o reconhecimento internacional e a confiança dos investidores na entidade emitente”, afirmou o CFO do grupo, José Pedro Freitas, aquando da apresentação dos resultados. Sublinhou, ainda, que “além da atratividade da taxa de juro, os investidores mostraram interesse em manter a exposição ao grupo”.

Ações da Mota-Engil brilham em bolsa

A emissão de “Obrigações Taxa Fixa Mota Engil 2018/2022” foi feita através de oferta pública de subscrição e de ofertas públicas de troca de “Obrigações Mota Engil 2014/2019” e de “Obrigações Taxa Fixa Mota Engil 2015/2020” por “Obrigações Taxa Fixa Mota Engil 2018/2022”. O valor inicial da oferta era de 65 milhões, mas foi revisto em alta para 110 milhões de euros.

Este otimismo dos investidores traduz também a melhoria do negócio. A construtura irá registar num nível recorde de carteiras de encomendas no segundo semestre do ano, após os 5,252 mil milhões de euros entre janeiro e junho. “Vai ficar acima”, confirmou o CEO, apontando para três novos projetos na Colômbia, bem como em Angola, República Dominicana e Moçambique.

Apesar do “sucesso” da operação e do crescimento da atividade da empresa, e mesmo com a forte valorização recente, as ações da Mota-Engil continuam a ser as mais castigadas na bolsa nacional, este ano. Apresentam uma queda de 55%. Moura Martins considera que “não há nenhum problema ou ameaça que justifique esta correção”, notando que se segue a uma mais que duplicação da capitalização bolsista em 2017. “É um título muito volátil e com pouco free float“, explicou, acrescentando que a construtora está a aproveitar o baixo preço para recomprar ações.

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Mota-Engil relança obrigações para o retalho. Paga juro de 4,5%

Construtora nacional paga uma taxa de juro de 4,5% numa nova oferta de obrigações para o retalho. Oferta arranca no dia 12.

A Mota-Engil vai pagar uma taxa de juro de 4,5% num novo empréstimo obrigacionista dirigido para o público em geral e através do qual pretende levantar, pelo menos, 65 milhões de euros. Ao mesmo tempo, a construtora nacional lançou duas ofertas de troca de obrigações visando substituir os antigos títulos de dívida emitidos em 2014 e 2015 por estes novos títulos. As ofertas arrancam na próxima semana.

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As novas obrigações que vão ser emitidas pela Mota-Engil para o retalho terão a maturidade em 28 de novembro de 2022 (quatro anos), com cada título a ter um valor unitário de 500 euros. Cada investidor terá de aplicar no mínimo 1.000 euros, ou seja, comprar duas obrigações, havendo lugar a rateio caso a procura seja superior à oferta.

Em contrapartida, o investidor receberá um juro bruto de 4,5% que será liquidado a cada semestre, no dia 28 de maio e dia 28 de novembro de cada ano.

A oferta global inicial é de 65 milhões de euros, mas a construtora liderada por Gonçalo Moura Martins pode aumentar o montante de obrigações a emitir nesta Oferta Pública de Subscrição (OPS) caso venha a registar boa procura.

Duas ofertas de troca para alongar dívida

Simultaneamente, a Mota-Engil lançou duas Ofertas Públicas de Troca (OPT) “parciais e voluntárias” dirigidas exclusivamente para os detentores de obrigações emitidas pela construtora em 2014 e 2015 e que vão vencer em 2019 e 2020, respetivamente.

Com isto, a construtora espera que estes obrigacionistas possam trocar os títulos antigos pelos novos títulos que estará a emitir, com o objetivo de “dar prosseguimento à sua estratégia de alongamento da sua dívida, de modo a alinhá-la melhor com a geração de cash flow, bem como de redução do custo dessa mesma dívida, substituindo desde já parte da sua dívida com vencimento em 2019 e 2020 por dívida com vencimento em 2022“, segundo diz no prospeto da oferta.

Adianta que relativamente a cada obrigação Mota-Engil 2019, que conta com uma taxa de juro de 5,5%, “a contrapartida oferecida no âmbito da respetiva OPT corresponde a 20 obrigações Mota-Engil 2022 com o valor nominal unitário de 500 euros e um prémio em numerário no valor de 211 euros”.

Quanto à obrigação Mota-Engil 2020, com um juro de 3,9%, oferece uma contrapartida corresponde a uma obrigação Mota-Engil 2022 com o valor nominal unitário de 500 de euros e um prémio em numerário de 11 euros.

(Notícia atualizada às 12h16)

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Mota-Engil vai construir a segunda maior ponte de África. Negócio vale 100 milhões de euros

Construtora portuguesa forma consórcio com sul-africanos para a construção da segunda maior ponte no continente africano. Obras iniciam-se no próximo ano. Negócio vale quase 100 milhões de euros.

A Mota-Engil vai construir uma das maiores pontes em África, tendo sido atribuído ao consórcio formado pela construtora portuguesa e pela sul-africana Concor o projeto para a construção da Msikaba Bridge, na África do Sul, num negócio avaliado quase em 100 milhões de euros.

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A informação foi adiantada pela South African National Roads Agency, que informa que a Mota-Engil e a Concor vão construir a segunda maior ponte no continente africano, com uma distância entre torres de 580 metros. Apenas a ponte suspensa Maputo-Catembe, no sul de Moçambique e que ficou pronta este ano, é mais extensa com cerca de 680 metros.

A agência revelou ainda que as obras para a construção da Msikaba Bridge na região da Wild Coast, na província do Cabo Oriental, deverão arrancar em fevereiro do próximo ano, projetando-se 33 meses até a sua conclusão. Mas os primeiros procedimentos para o início deste projeto deverão ocorrer já no próximo mês.

África representa o maior mercado para a Mota-Engil, respondendo por mais de metade das encomendas da construtora liderada por Gonçalo Moura Martins em 2017, que totalizavam os 5,1 mil milhões de euros no ano passado. Adicionalmente, mais de 33% da faturação que a empresa portuguesa registou em 2017 (2,6 mil milhões de euros) veio de África.

Este ano, a Mota-Engil anunciou contratos no Uganda no valor de 140 milhões de euros, para a reabilitação e manutenção de 340 quilómetros de estrada. Na Nigéria, celebrou uma parceria com a Shoreline para entrar naquele mercado.

A Mota-Engil registou uma subida de 24% do lucro no primeiro semestre do ano para os 5,4 milhões de euros.

As ações da Mota-Engil estão a ceder 1,85% para 2,08 euros. Desde o início do ano, a construtora acumula uma desvalorização de 40%, estando avaliada em cerca de 500 milhões de euros.

 

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Mota-Engil não paga dividendos pela primeira vez em mais de duas décadas

  • ECO
  • 19 Abril 2018

Construtora liderada por Gonçalo Moura Martins viu os lucros caírem de 50 para dois milhões em 2017, razão pela qual não vai pagar dividendos este ano. É uma estreia em mais de duas décadas.

A Mota-Engil EGL 0,27% não vai pagar dividendos este ano, interrompendo uma política de entrega de lucros aos acionistas que se verificava desde pelo menos 1996, há mais de 20 anos, de acordo com os dados compilados pela Reuters.

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Segundo João Vermelho, diretor de relações com os investidores, citado pelo Jornal de Negócios, “com dois milhões de euros de lucro é fácil perceber que o dividendo não será provavelmente pago”. “Não há um plano em cima da mesa para distribuir dividendos“, explicou pouco depois na conferência telefónica com os analistas.

A construtora registou uma quebra de 97% do lucro para dois milhões de euros em 2017 — no ano anterior, o resultado líquido foi de 50 milhões de euros, positivamente influenciado com a alienação das participações na Tertir e na Indáqua.

Em 1996, a Mota-Engil pagou um dividendo de 6,15 escudos (cerca de 3 cêntimos). Há um ano, distribuiu um dividendo de 13 cêntimos, depois de anos e anos a remunerar os acionistas de forma ininterrupta.

"Com dois milhões de euros de lucro é fácil perceber que o dividendo não será provavelmente pago. (…) Não há um plano em cima da mesa para distribuir dividendos.”

João Vermelho

Diretor para as Relações com o Mercado da Mota-Engil

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Mota-Engil ganha novo contrato na Costa do Marfim para tratamento de lixo. Negócio pode chegar aos 140 milhões

Construtora vai construir e operar um aterro na capital Abidjan. Negócio poderá valer 140 milhões de euros à construtora portuguesa liderada por Gonçalo Moura Martins.

A Mota-Engil ganhou um contrato na Costa do Marfim para construção e operação de um aterro com capacidade de triagem e produção de energia proveniente de biogás na capital Abidjan. Negócio poderá valer 140 milhões de euros à construtora portuguesa liderada por Gonçalo Moura Martins.

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A empresa portuguesa tem estado bastante ativa naquele país africano. Ainda recentemente assinou um contrato com o Governo costa-marfinense no valor de 320 milhões de euros para recolha de resíduos também em Abidjan por um período de sete anos.

Desta feita, a Mota-Engil EGL 0,27% informa o mercado sobre a adjudicação de um contrato para a conceção, construção e operação de um aterro com capacidade para triagem e produção de energia proveniente de biogás na capital da Costa do Marfim.

“O contrato referido envolverá um valor estimado de cerca de 140 milhões (o qual inclui uma componente variável estimada de cerca de 40 milhões dependente das toneladas movimentadas), uma duração de 7 anos para uma capacidade total de 8,2 milhões de toneladas e a componente de construção avaliada em cerca de 48 milhões milhões será executada pela Mota-Engil África”, lê-se no comunicado enviado esta segunda-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Acrescenta ainda que “com esta adjudicação, a Mota-Engil reforça a sua carteira de encomendas no médio prazo, bem como reforça a sua atividade na área de resíduos na região de África”. Além da Costa do Marfim, a Mota-Engil encontra-se em mais 13 países africanos, incluindo Angola e Moçambique, mercados onde em setembro passado anunciou negócios no valor de 500 milhões de euros.

Ações da Mota-Engil invertem para terreno positivo

(Notícia atualizada às 12h14)

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Mota-Engil anuncia contrato de 120 milhões na Polónia

Dois em um para a construtora liderada por Moura Martins: encomenda de 120 milhões de euros na Polónia e lançamento de uma nova emissão de obrigações no montante de 130 milhões de dólares.

A Mota-Engil EGL 0,27% foi contratada para construir parte de uma autoestrada na Polónia, numa obra avaliada em 120 milhões de euros. A construtora portuguesa liderada por Gonçalo Moura Martins anunciou ainda que vai emitir obrigações seniores num montante de cerca de 130 milhões de dólares.

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As informações foram prestadas esta segunda-feira ao mercado. Num comunicado, a Mota-Engil informou sobre a adjudicação de um contrato para a construção de um troço de 14 quilómetros da autoestrada Varsóvia-Cracóvia, na Polónia.

“O contrato inclui o projeto e construção, tem um valor de 120 milhões de euros, uma duração de 34 meses e será executado pela Mota-Engil Central Europe”, a subsidiária da construtora portuguesa para os negócios naquela região do Velho Continente.

A empresa indica ainda que “com este aumento da carteira de encomendas da região de Europa, a Mota-Engil mantém a sua estratégia de equilíbrio da dinâmica comercial e operacional nas três regiões onde opera” — além do mercado europeu, a construtora tem uma presença relevante em África e América do Sul, regiões que representam quase 80% da carteira de encomendas.

Emissão obrigacionista de 130 milhões

Ao mesmo tempo que anunciava a obra, a Mota-Engil informava ainda no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que vai lançar uma nova emissão de obrigações seniores, num montante máximo aproximado de 131,29 milhões de dólares. Este valor traduz a soma de anteriores empréstimos obrigacionistas. A operação será concretizada a 4 de janeiro.

Esta oferta é dirigida apenas a investidores qualificados e pressupõe um montante mínimo de subscrição de 100 mil euros por investidor. Poderá ser liquidada em dinheiro ou mediante a troca de obrigações que estão prestes a vencer.

O Banco Finantica é a entidade responsável pela operação.

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Mota-Engil América Latina? “Um dia esse caminho pode ser possível”

Presidente da construtora pensa em colocar o negócio africano ou o latino-americano na bolsa, mas lembra "tentativa falhada" com a Mota-Engil África para dizer que não está nos planos neste momento.

António Mota e as irmãs no aniversário dos 30 anos da Mota-Engil na bolsa portuguesa.Paula Nunes/ECO

António Mota, presidente da Mota-Engil que celebra esta segunda-feira 30 anos na bolsa de Lisboa, adiantou que a construtora admite lançar um novo IPO (initial public offering) do seu negócio em África ou até estrear a América Latina em bolsa, mas lembrou a experiência não tão bem-sucedida com a colocação da Mota-Engil África na bolsa de Amesterdão em 2014.

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“Ter Mota-Engil África ou Mota-Engil América Latina? Um dia esse caminho pode ser possível”, referiu o presidente do Conselho de Administração da empresa portuguesa na cerimónia de aniversário da terceira década de presença no mercado de capitais. “Mas neste momento não há nenhuma intenção”, frisou ainda. Porquê?

O responsável lembrou a tentativa “falhada” com o IPO da Mota-Engil África que entrou na bolsa holandesa em 2014 e um ano depois já estava a ser reabsorvida pela casa-mãe a metade do preço de admissão. “Se calhar foi cedo demais para nós”, justificou o filho do fundador da Mota & Companhia, empresa constituída em 1946 por Manuel António da Mota.

"Ter Mota-Engil África ou Mota-Engil América Latina? Um dia esse caminho pode ser possível.”

António Mota

Presidente da Mota-Engil

Mais de 80% da carteira de encomendas encontra-se nos mercados de África e América Latina, avaliada em mais de quatro mil milhões de euros.

Questionado pelos jornalistas se a Mota-Engil EGL 0,27% pensa explorar novos mercados, António Mota disse que a construtora pensa em consolidar os negócios que detém atualmente. “Mercado asiático? É muito longe para nós”, disse.

António Mota, presidente da Mota-Engil, no discurso do 30º aniversário da construtora na bolsa.Paula Nunes/ECO

António Mota frisou ainda que a economia portuguesa e africana estão em fase de “pré-bonança”, razão pela qual espera que os resultados cresçam mais no próximo ano do que em 2017, sem precisar números. Acrescentou ainda que espera que o mercado africano recupere novamente o estatuto de principal mercado, superando o maior contributo que a América Latina dá atualmente para as receitas do grupo.

Sobre os 30 anos da vida da construtora na bolsa, António Mota referiu que a Mota-Engil continua a ser uma empresa familiar justamente por causa da presença no mercado de capitais. “Foram 30 anos que permitiram que a cultura dos fundadores da empresa pudesse ser expandida para todos os sítios, com ambição, compromisso e resiliência. Foi isso que aprendemos com os fundadores, com o meu pai”, recordou.

Por fim deixou o desejo de “marcar encontro para daqui a 20 anos”, numa plateia que contou com a presença das irmãs Maria Manuela Mota, Maria Teresa Mota e Maria Paula Mota e ainda do atual CEO do grupo, Gonçalo Moura Martins e do seu antecessor, Jorge Coelho.

Já Paulo Rodrigues Silva, presidente da Euronext Lisbon, disse que tem “particular carinho e apreço pela Mota-Engil”. “É uma das mais antigas da bolsa de Lisboa. “Faz parte da safra de 87, foi um bom ano da bolsa“, sublinhou.

“A Mota-Engil é um exemplo da importância do mercado de capitais no financiamento da economia real. E sempre soube aproveitar o mercado de capitais sem perder o seu cariz familiar”, ressalvou ainda Paulo Rodrigues Silva.

"Foram 30 anos que permitiram que a cultura dos fundadores da empresa pudessem ser expandidas para todo os sítios, com ambição, compromisso e resiliência. Foi isso que aprendemos com os fundadores, com o meu pai.”

António Mota

Presidente da Mota-Engil

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Mota-Engil há 30 anos na bolsa. Celebra com subida de 100%

Celebrando três décadas na bolsa, a Mota-Engil tem dado motivos para acionistas sorrirem: dispara 100% em 2017. Família nunca perdeu controlo da construtora, mas negócio é sobretudo fora de portas.

Aviso de admissão à cotação no mercado de 2,7 milhões de ações da Mota & Companhia.Fonte: Euronext

Há 30 anos a Mota & Companhia estreava-se no mercado bolsista nacional. Foi exatamente a 5 de novembro de 1987 que cada ação da histórica construtora nacional foi para a bolsa a valer um conto de rei, mil escudos ou cerca de cinco euros (sem contar com inflação). Três décadas depois, o controlo familiar sobre a empresa não se perdeu apesar dos altos e baixos da sua vida na bolsa. A família Mota ainda hoje detém mais de 60% da empresa fundada 40 anos antes por Manuel António da Mota e o seu cunhado, Joaquim da Fonseca, na localidade de Amarante. Mas os recentes anos de crise em Portugal obrigaram a construtora que dá hoje pelo nome de Mota-Engil a olhar sobretudo para fora de portas e a procurar trabalho no estrangeiro.

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No mesmo ano em que fundaram a Mota & Companhia, em 1946, Manuel António da Mota e Joaquim da Fonseca criaram uma sucursal em Angola, onde desenvolveram as suas atividades em exclusivo até 1974, primeiro na exploração e transformação de madeiras e depois, a partir de 1948, na construção e obras públicas.

De alguma forma, os primeiros passos da recém-criada construtora acabariam por ser premonitórios quanto ao resto da história eminentemente internacional que estaria para contar. A Mota-Engil está atualmente presente em mais de 25 países em todo o mundo, concentrando os seus negócios sobretudo na América Latina e em África. Estas duas regiões representam uma carteira de encomendas no valor de 4.000 milhões de euros, mais de 80% do total de encomendas do grupo. Os últimos contratos foram assinados em setembro em Angola e Moçambique, avaliados em 500 milhões de dólares.

Mais de 80% das encomendas são internacionais

Fonte: Mota-Engil

Voltemos a 1987. Nesse ano, a Mota & Companhia chegava ao mercado de capitais (apenas 12% foi disperso em bolsa) em plena época de euforia nacional: mais de 90 empresas e bancos (incluindo o banco BCP) tinham sido admitidos na bolsa de valores portuguesa. Esta efeméride leva a gestora da bolsa nacional, a Euronext, a celebrar esta segunda-feira o 30º aniversário da construtora na bolsa, numa cerimónia que vai contar com a presença do presidente do conselho de administração, António da Mota, filho do fundador.

António da Mota é o presidente da empresa que o pai, Manuel António da Mota, fundou em 1846.Mota-Engil

Foi com António da Mota que anos mais tarde, já no novo milénio, a construtora viria a juntar-se ao grupo Engil, fundado por Fernando José Saraiva e António Lopes de Almeida, em 1952.

A fusão entre a Mota & Companhia e a Engil prolongou-se durante alguns anos perante a complexidade de um processo jurídico que envolveu fusões-cisões, fusões por incorporações e aumentos de capital. Esta “empreitada” só terminaria em 2003 com a criação da maior construtora nacional, a Mota-Engil SGPS, que já na altura era mais do que uma simples construtora. Passou a agregar quatro áreas de negócio distintas: além da engenharia e construção, o grupo também se desenvolvia no setor das concessões e transportes, do imobiliário e turismo, e do ambiente e serviços.

Ações da Mota-Engil chegaram ao índice de referência nacional em 2005. Há mais de 10 anos que está no PSI-20.Mota-Engil

Em 2005, a Mota-Engil dá o salto para o primeiro escalão do mercado acionista nacional, com a inclusão no índice PSI-20, uma promoção lhe permitiu ganhar visibilidade dos investidores e analistas. Terminou o ano a valer 665 milhões de euros, depois de uma escalada de mais de 65% do título e numa altura em que a economia portuguesa dava sinais de cansaço. Mas o grupo já estava imune ao ciclo económico nacional, depois de ter reforçado a sua presença na Europa Central com a constituição da Mota-Engil Polska, na Polónia.

Altos e baixos da Mota-Engil desde 1987

Fonte: Euronext (para os anos anteriores à fusão entre a Mota & Companhia e a Engil, optou-se pela soma simples das capitalizações das empresas).

Mas seria nos dois anos seguintes que a construtora superaria o valor de mil milhões de euros em market cap. Conseguiu-o em 2006 e 2007, antes de a crise do subprime americano ter provocado uma derrocada na economia mundial e ter demolido os mercados financeiros. A Mota-Engil foi arrastada: dos 1.047 milhões de euros no final de 2007 passou para os 481 milhões no final de 2008.

A Mota-Engil voltou a recuperar valor para os acionistas em 2009, antes de mergulhar de novo em 2010 e 2011 com a crise da dívida em Portugal, que veio dinamitar qualquer esperança de ver o mercado das obras públicas voltar aos anos de efervescência da década de 1990, quando a construtora ficou responsável, entre outras obras, pela emblemática Ponte Vasco da Gama, em 1994.

Ciente a importância do mercado internacional, o grupo — já com Gonçalo Moura Martins como CEO, depois de por lá ter passado o antigo ministro das Obras Públicas Jorge Coelho — decidiu realizar um spin-off do seu negócio em África através da colocação em bolsa da Mota-Engil África na praça de Amesterdão em novembro de 2014, com um valor de ação de 11,50 euros. O objetivo era simples: dar músculo financeiro ao mercado onde tudo começou, nos idos de 1952.

Construtora participou no consórcio que construiu a Ponte Vasco da Gama, em Lisboa, em 1994.Mota-Engil

Porém, a operação foi tudo menos tranquila. Primeiro porque o grupo viria a sofrer com o impacto da crise que derrubou o Grupo Espírito Santo e o BES no verão desse ano, tendo alterado os planos iniciais (que passavam, por exemplo, por cotar o seu negócio em Londres). Depois porque, com apenas um ano de vida, a Mota-Engil África é de novo absorvida pela casa-mãe a 10 de dezembro de 2015, na sequência de um desempenho angustiante na capital holandesa que atirou a ação para metade da cotação com que foi admitida em bolsa.

Depois de cumprir 70 anos de vida em 2016, o grupo Mota-Engil celebra este ano no seu 30º aniversário na bolsa em franca recuperação — as ações já duplicaram de valor desde o início do ano –, alicerçando o seu negócio em várias áreas e cada vez mais longe de passar apenas pelo cimento e pelo betão das obras que lhe deram origem.

Simultaneamente, apesar do controlo familiar e de raiz portuguesa, é um negócio que gosta de falar várias línguas, como faz questão de sublinhar o chairman do grupo, António Mota, na sua mensagem aos acionistas: “Somos africanos em África, ibero-americanos na América Latina, europeus na Europa, mas somos Mota-Engil em todo o Mundo”.

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Só três trabalhadores quiseram ser acionistas da EGF

A EGF conseguiu vender 1.300 ações no âmbito da OPV destinada a trabalhadores. Ou seja, apenas 0,23% do número de ações disponibilizadas nesta operação.

Apenas três trabalhadores aceitaram participar na oferta pública de venda (OPV) de ações da Empresa Geral do Fomento (EGF). Estes trabalhadores ficaram com um total de 1.300 ações no âmbito da privatização da gestora de resíduos correspondentes a um montante total ligeiramente acima de 18 mil euros, segundo anunciou a EGF em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

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Esta OPV foi anunciada na segunda metade do mês de junho e destinava-se exclusivamente a trabalhadores da empresa, que poderiam adquirir uma participação de 5% da EGF. Durante o período da oferta que decorreu durante um período de 15 dias, os trabalhadores da empresa poderiam adquirir títulos a um valor unitário de 13,896 euros. Este preço representa um desconto de 5% face aos 14,6274 euros que ficaram fixados na venda da EGF ao consórcio Suma, liderado pela Mota-Engil, por um valor de 150 milhões de euros.

Face ao total de 560 mil ações que foram disponibilizadas aos trabalhadores nesta OPV, o número de títulos que acabaram por ser adquiridos representam uma proporção de apenas 0,23%.

Além dos funcionários da EGF, esta oferta estava disponível também para os trabalhadores das participadas Algar, Amarsul, Resiestrela, Resinorte, Resulima, Valnor, Valorlis, Valorminho e Valorsul.

No comunicado enviado à CMVM, a EGF diz que a liquidação física e financeira das ações adquiridas no âmbito desta OPV ocorrerá a 9 de agosto. Ou seja, na próxima quarta-feira. “Não está prevista a admissão à negociação em mercado regulamentado das ações representativas da totalidade ou de parte do capital social da EGF”, informa ainda a empresa ao regulador do mercado de capitais.

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