Investidores preocupados com impeachment contra Donald Trump. Wall Street cai

As bolsas dos Estados Unidos encerraram no vermelho, com os investidores preocupados com o processo de impeachment contra Donald Trump.

Os principais índices de Nova Iorque encerraram em queda, com o processo de impeachment contra Donald Trump a causar receios nos investidores. A penalizar Wall Street esteve ainda um relatório que mostrou que dificilmente os Estados Unidos vão permitir que as empresas norte-americanas forneçam

O índice de referência S&P 500 desvalorizou 0,15% para 2.981,62 pontos, acompanhado pelo industrial Dow Jones que recuou 0,29% para 26.892,75 pontos. Pelo mesmo caminho foi o tecnológico Nasdaq que desceu 0,58% para 8.030,66 pontos.

Um relatório tornado público esta quinta-feira mostrou que Donald Trump não apenas tentou pedir interferência internacional nas eleições de 2020 nos Estados Unidos, como também tentou apagar evidências sobre isso. Esse documento é visto como de extrema importância para o processo de impeachment que foi aberto contra o Presidente.

“Isto cria mais incerteza à medida que as coisas continuam a ‘aquecer’. A denúncia [do funcionário da inteligência americana] foi mais prejudicial do que os próprios mercados estavam à espera”, diz Brown de Raymond James, citado pela Reuters (conteúdo em inglês).

A penalizar o desempenho das bolsas norte-americanas esteve outro relatório da Bloomberg que mostrou que dificilmente os Estados Unidos irão permitir que as empresas norte-americanas forneçam peças à Huawei, refere a Reuters.

Esta quinta-feira, o CEO da Huawei, Ren Zhengfei, anunciou que a empresa vai começar a produzir 5.000 postos de 5G por mês e que, no próximo ano, o objetivo é ter cerca de 1,5 milhões de estações. Contudo, nenhuma terá componentes norte-americanos.

 

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SIGI vão surgir “nos próximos seis meses”, diz Filipa Franco, da Euronext

Pouco tempo depois de as SIGI terem sido aprovadas no Parlamento, a Euronext acredita que as primeiras sociedades cotadas começarão a aparecer "nos próximos seis meses".

Pouco tempo depois de o Parlamento ter aprovado as Sociedades de Investimento e Gestão e Imobiliária (SIGI), após um caminho de turbulência, estes instrumentos financeiros estão prestes a entrar em ação. De acordo com a listing director da Euronext Lisbon, é uma questão de meses até começarem a aparecer as primeiras SIGI. Já há empresas preparadas, uma delas é a espanhola Merlin Properties.

“As empresas estavam à espera das SIGI, que passaram por um importante teste no Parlamento, começou por dizer Filipa Franco, durante o Portugal Real Estate Summit, que decorre esta quinta e sexta-feira no Estoril. A especialista da Euronext reconhece que esse “teste”, em que os partidos de esquerda se uniram contra estas sociedades, “foi um momento crítico para as empresas” que aguardavam pela sua aprovação.

Portugal Real Estate Summit - 26SET19

Desde a sua aprovação até ao momento atual, o caminho fez-se a “perceber o enquadramento legal” que, finalmente, “está alinhado com os padrões” europeus. Por isso, quando questionada sobre prazos, Filipa Franco afirmou que “nos próximos seis meses, começarão a surgir as primeiras SIGI”.

Presente no mesmo painel estava Alexandre Fernandes, responsável de gestão de ativos na Europa da Sonae Sierra, que adiantou que a aprovação destas sociedades cotadas foi um “passo positivo” e que até serem dados os primeiros passos “demora o seu tempo”.

No final de 2016, a Sonae Sierra criou uma SOCIMI (SIGI espanhola) com o Bankinter, esperando-se que seja uma das empresas interessadas em estrear-se nas SIGI. “Ainda há coisas que temos de clarificar com o tempo”, atirou.

Mas a empresa mais aguardada pelos investidores portugueses é a espanhola Merlin Properties, que já afirmou várias vezes a sua intenção em entrar para a bolsa portuguesa. David Brush, CIO da SOCIMI espanhola, referiu na mesma conferência que apenas investem na Península Ibérica. “Hoje, 10% do nosso portefólio está investido em Portugal”, disse.

Portugal Real Estate Summit - 26SET19
Painel das SIGI no Portugal Real Estate Summit, da esquerda para a direita: Dominique Moerenhout, CEO da EPRA; Roger M. Cook, moderador; Alexandre Fernandes, director of asset management Europe da Sonae Sierra; Filipa Franco, listing director da Euronext Lisbon; Miguel Ferre, vice-presidente do Instituto da Empresa; David Brush, CIO da Merlin Properties.Hugo Amaral/ECO

Embora tenha admitido que a Merlin olha para as SIGI como “um desafio”, o responsável acrescentou que “continuam a haver algumas restrições”.

Em entrevista ao ECO em abril, João Cristina, responsável da SOCIMI em Portugal, já tinha sublinhado a possibilidade de entrar para este mundo. “Olhamos com bastante interesse para o mercado nacional. Há uma dinâmica inegável dentro do mercado imobiliário e o regime das SIGI é uma possibilidade”, disse.

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Nova Lei do RGPD: “Agora é que vão começar os problemas jurídicos”

Entidades públicas passam a estar sujeitas a coimas, mas podem dispensar a aplicação por três anos. Resultado, "há uma avalanche de pedidos para a isenção do pagamento. Muito problemática".

O tratamento de dados pessoais passou a ser uma preocupação constante e diária na vida das empresas e dos particulares. Fazer uma compra online ou assinar uma newsletter pode traduzir-se numa partilha infindável de dados. Perante a necessidade de defender os direitos dos cidadãos, foi publicado um novo regulamento comunitário de proteção de dados, que entrou em vigor em 2016.

Inicialmente era suposto ser um regulamento de aplicação direta e imediata, sem necessidade de regulamentação extra, mas os legisladores nacionais entenderam que era urgente produzir normas que concretizassem e executassem o regime geral de proteção de dados (RGPD), surgindo assim, em Portugal, a Lei n.º 58/2019, de 8 de agosto.

“A legislação traça um quadro diversificado e agora é que vão começar os problemas jurídicos”, refere Catarina Sarmento e Castro, na conferência “Nova lei da proteção de dados”. Para a professora da Universidade de Coimbra, o grande problema do legislador, nos vários Estados, foi “conseguir desempenhar a sua tarefa sem entrar em confronto com o regulamento”. “Neste momento estamos no limbo”, diz Filipe Pereira, head of digital lead & protection na LCG. “Metade credibiliza a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) e outra metade não”, acrescenta. A CNPD foi a entidade nomeada pela Assembleia da República para controlar a fiscalização da aplicação do RGPD. Mas até que ponto não se sobrepôs o legislador nacional ao direito europeu?

Um novo quadro sancionatório

Apesar da matéria de proteção de dados ser uma preocupação do legislador há bastante tempo, foram as coimas previstas que acabaram por trazer o RGPD para a ordem do dia. Previram-se valores bastantes mais elevados que na diretiva anterior e apesar de o RGPD determinar que devem existir sanções equivalentes aos restantes Estados membros, a nova lei veio definir diferentes limites máximos e mínimos para Portugal.

Exista um primado do direito comunitário sobre o direito interno e a lei, ao introduzir estes limites, viola o direito da União Europeia. “A CNPD deliberou, mas suscita dúvidas, porque é às instâncias europeias que cabe avaliar se o direito interno viola ou não o direito europeu”, explica Catarina Pimenta Coelho. Fica assim aberta a porta para novas sanções do próprio RGPD. “As organizações começaram a preparar-se com medo das coimas, o bicho papão”, enfatizou Filipe Pereira. Perante o novo quadro sancionatório previsto podemos concluir que o legislador sobrepôs-se ao RGPD.

Com a Lei de 8 de agosto foram estabelecidos diferentes limites máximos para as pequenas e médias empresas e pessoas singulares. O RGPD prevê coimas de 20 milhões de euros ou 4% das receitas anuais da empresa em inconformidade, consoante seja o valor mais alto, a aplicação do regulamento em Portugal vai diferenciar as grandes das pequenas e médias empresas (PME). As coimas também serão divididas em graves e muito graves, mudando a moldura penal em cada um dos casos.

Um dos problemas graves apontadas na conferência promovida pela B’Law e pelo ECO é que segundo a remissão feita na lei, são consideradas pequenas e médias empresas as que integram “menos de 250 pessoas” ou têm um volume de negócios inferior a 50 milhões de euros, ou seja, não são pequenas empresas, ainda “possuem alguma dimensão”, aponta Cristina Pimenta Coelho. Recorde-se que este critério afeta também a determinação do valor da coima, uma vez que a lei considera-o um fator determinante.

Estão as entidades Públicas sujeitas ao RGPD?

Um dos pontos mais controversos em torno das normas subjacentes à proteção de dados, foi se as entidades públicas ficavam sujeitas ao RGPD. O regulamento referiu para os Estados membros não aplicarem durante o período de três anos, principalmente devido às elevadas coimas, mas a lei tipificou que as coimas aplicavam-se também às entidades públicas.

O legislador português decidiu construir uma norma “estranha”, segundo Catarina Sarmento e Castro. Desta forma, as entidades públicas passam a estar sujeitas a coimas, mas podem dispensar a aplicação por três anos. A dispensa, segundo a lei, pode ser requerida após ser interposto o processo de contraordenação.

Esta norma determina que haja uma avalanche de pedidos para a isenção do pagamento. Muito problemática. Não há critérios que fundamentem este pedido. Quais são os critérios para ter em conta a decisão da dispensa ou não?”, questiona Cristina Pimenta Coelho, consultora principal do Centro de Competências Jurídicas do Estado.

Deliberações da CNPD podem ser impugnadas?

As deliberações da CNPD são orientações formuladas pela comissão perante determinadas situações que surgem no âmbito da proteção de dados. Muitas vezes as deliberações mantêm-se válidas e podem continuar a ser utilizadas como referência. “Mas atendendo aos conteúdos das deliberações da CNPD, será que podem ser administrativamente impugnadas?“, questionou Alexandre Sousa Pinheiro, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Os atos administrativos são praticados com base na interpretação da comissão face ao regulamento da lei e fazendo fé das deliberações interpretativas. Nestes atos, a via de impugnação devia ser através de um regulamento, mas nas deliberações interpretativas não existem normas e sem normas não existe regulamento.

“O Tribunal Constitucional considerou que não eram normas que pudessem ser fiscalizadas pelo tribunal. Conclusão, não estamos perante matéria regulamentar que possa ser impugnada por uma via prevista no CPTA“, refere Alexandre Sousa Pinheiro.

“Caso para dizer que o crime compensa”

Para além de um novo quadro sancionatório e da sujeição das entidades públicas à RGPD, a nova lei da proteção de dados consagra ainda a responsabilidade penal das pessoas coletivas. A norma vem consagrar que se o mesmo facto for crime e contraordenação, é punido a título de crime. O legislador levantou um grave problema com esta disposição. “Como há uma série de normas em que a constituição simultaneamente considera como contraordenação e crime, é caso para dizer que o crime compensa. Pois a sanção é muito inferior no crime“, refere Catarina Pimenta Coelho.

Optando pela sanção do crime, e não pela contraordenação, aos agentes é atribuída uma punição bastante inferior ao consagrado no RGPD. Por exemplo, em caso de sanção com pena de prisão até um ano, o juiz aplica a multa, o que se traduz, na opinião dos intervenientes, num “desrespeito” face ao RGPD.

Mas apesar dos pontos duvidosos da Lei, num aspeto o legislador teve sucesso, segundo Luís Neto Galvão, sócio da SRS. O RGPD não protegeu os dados pessoais dos falecidos — referentes à saúde, à intimidade e à imagem –, mas a nova lei portuguesa fá-lo.

O que se entende por DPO?

Não é intuitiva a sigla DPO, mas o que representa é um encarregado de proteção de dados. Com a nova lei, as empresas passam a ter o dever de designar um DPO que assegura a realização de auditorias e sensibiliza os utilizadores para a importância da deteção atempada de incidentes de segurança.

A tarefa de um encarregado de proteção de dados vai muito além das obrigações dispostas na lei. Para prosseguir a sua função com êxito, um DPO tem de adotar certas diligências. Precisa de ter um suporte por parte da organização para a qual presta o serviço, conhecendo os seus fins e objetivos. “É necessário que as formações sejam feitas para que as pessoas vistam a camisola da privacidade. As formações têm de instituir boas práticas”, assegura Ana Fazendeiro, CEO/Legal expert protect data.

Equipas multidisciplinares são uma mais valia

Os sistemas de segurança do tratamento de dados pessoais são uma realidade à qual Portugal não pode ignorar. Nestes sistemas, que se consubstanciam em subsistemas integrados que visam um determinado objetivo, os dados pessoais são apenas um dos ramos. Para tal, é necessário uma gestão de segurança da informação, de forma a garantir que todos os dados armazenados e transmitidos sejam bem tratados.

O professor tenente coronel da Academia Militar, José Lourenço Martins, alertou para o facto de ser importante “conhecer as organizações, o adversário, o estado da arte e a lógica de abordagem do risco”. É fundamental fazer uma avaliação do respetivo risco para se proceder à implementação de controlos de segurança.

A grande dificuldade que o tenente coronel sentiu até ao momento foi na “integração de equipas com competências diferentes”. Os profissionais de cada área veem conceitos de formas diferentes e assim é essencial constituir equipas multidisciplinares para um melhor desempenho nos processos de segurança.

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Vice-governador do BdP considera que é subestimada a capacidade de adaptação dos bancos

  • Lusa
  • 26 Setembro 2019

Máximo dos Santos defende que é exagerado o vaticínio sobre o desaparecimento dos bancos face a novos operadores.

O vice-governador do Banco de Portugal, Máximo dos Santos, considerou esta quinta-feira que é exagerado o vaticínio sobre o desaparecimento dos bancos face a novos operadores, e que é subestimada a capacidade de adaptação do setor.

“Há quem entenda que as fintech são uma ameaça global para o setor bancário, seguramente o setor bancário não continuará igual, mas o vaticínio do seu desaparecimento a prazo parece não só vagamente exagerado (parafraseando Mark Twain) mas, mais do que isso, infundado e simplista”, afirmou o vice-governador numa conferência organizada pela sociedade de advogados Sérvulo & Associados.

Segundo o responsável do regulador e segurador bancário, esses vaticínios subestimam a “capacidade de adaptação do setor, a sua experiência acumulada, o caráter infungível das suas funções e a massa critica que é capaz de mobilizar”.

Para fazer face à transformação que o setor está a viver, o que os bancos têm de fazer é inovarem tecnologicamente, enfocarem os seus serviços na relação com o cliente e fazerem parcerias estratégicas com novos operadores do setor financeiro, como as fintech, disse, acrescentando que sabe que nada disto é novo para os bancos.

Sobre a regulação e os seus custos para os bancos, Máximo dos Santos admitiu que são elevados, mas afirmou que “os custos da ausência de regulação são bem maiores”, como provou a última crise financeira.

Presentes nesta conferência, os presidentes dos principais bancos que operam em Portugal consideraram que, apesar da ameaça de novos operadores, os bancos mais tradicionais continuam a ter vantagens, como uma relação “mais emocional” e próxima com os clientes e a extensa informação que têm dos clientes, que podem usar para prestar serviços e oferecer produtos de acordo com as suas necessidades.

“Não acredito que haja alguém melhor posicionado do que os bancos hoje, que já têm relação com o cliente”, defendeu Miguel Maya, presidente do BCP, que falou que os bancos usam o trabalho desenvolvido pelas ‘fintech’ como acelerador para inovarem. A preocupação dos bancos, acrescentou, não são as fintech mas as bigtech (grandes empresas tecnológicas, como Amazon, Facebook ou Google que também prestam serviços financeiros).

Cabe à banca baixar os custos de diversas formas, uma das quais pela tecnologia, para que as pessoas se sintam confiantes a pagar, e o digital é essencial, na recolha e tratamento de dados. É aqui se vai jogar o futuro a banca, de como os dados são recolhidos até como eles são tratados”, afirmou o presidente da CGD, Paulo Macedo.

No mesmo sentido, o presidente do Santander Totta, Pedro Castro e Almeida, considerou que os bancos perdem o seu “ativo” no momento em que “disponibilizarem ao mercado os dados dos clientes”.

Por fim, o presidente do Novo Banco, António Ramalho, falou ainda da necessidade de os bancos reduzirem custos e de como isso pode levar à concentração do setor, à fusão de bancos. Contudo, referiu, há mercados menos concentrados do que Portugal — como a Alemanha — em que se perspetivava consolidação no mercado mas ainda não aconteceu.

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Tancos: Ministério Público abre investigação sobre ex-chefe da casa Militar de Marcelo

  • ECO
  • 26 Setembro 2019

O Ministério Público considera que o tenente-general João Cordeiro mentiu ao dizer que não recebeu qualquer email do coronel Luís Vieira.

O tenente-general João Cordeiro não foi acusado no processo de Tancos, mas, agora, o Ministério Público (MP) decidiu extrair uma certidão autónoma ao ex-chefe da casa militar de Marcelo Rebelo de Sousa por falsidade de testemunho. De acordo com o Expresso (acesso livre), vai ser aberta uma nova investigação ao tenente que saiu de Belém um mês depois de terem sido descobertas as armas de Tancos.

Em causa está o facto de o tenente-general João Cordeiro ter negado aos procuradores do caso o recebimento de qualquer email do major Vasco Brazão ou do coronel Luís Vieira. Contudo, depois de recebido o depoimento do tenente, por escrito, a Polícia Judiciária (PJ) apreendeu emails de Luís Vieira para João Cordeiro no sentido de interceder junto de Marcelo Rebelo de Sousa para que a investigação passasse novamente para a esfera da Polícia Judiciária Militar (PJM).

“Não será possível o nosso Presidente, junto da PGR, obter, sensibilizar, para que este inquérito deixe de estar delegado na PJ e sim, como seria correto desde início, na PJM?”, pergunta Vieira num email que trazia em anexo uma parte da investigação sobre Tancos da PJ, que se encontrava em segredo de Justiça.

Assim, o Ministério Público concluiu que o tenente-general João Cordeiro mentiu ao dizer que não recebeu qualquer email do coronel Luís Vieira, um dos homens da PJM que, segundo o MP, planeou a operação paralela de recuperação do arsenal de Tancos.

Além disso, o Ministério Público considera impossível que o diretor da PJM não tenha informado João Cordeiro sobre a recuperação do material furtado. Isto quando o tenente-general disse que soube através da comunicação social.

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Paulo Macedo diz que tardará uma década até banca ser perdoada pelas “asneiras”

  • Lusa
  • 26 Setembro 2019

"A banca tem de ser muito resiliente para as asneiras que já fez e, até ser perdoada, vai ser para aí uma década", disse Paulo Macedo.

O presidente da CGD, Paulo Macedo, disse hoje que os bancos têm de ser inovadores, mas também resilientes perante uma indústria em transformação e estimou que tardará uma década até a banca ser perdoada das “asneiras” feitas.

Numa conferência organizada pela sociedade de Advogados Sérvulo & Associados, em Lisboa, no painel de debate dedicado ao futuro da banca, o presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD) citou o governador do Banco de Inglaterra para considerar que a inovação é importante na banca mas também a resiliência.

“A banca tem de ser muito resiliente para as asneiras que já fez e, até ser perdoada, vai ser para aí uma década”, disse Paulo Macedo, considerando que essa estimativa de tempo é se “tudo correr bem”.

O presidente do BCP, Miguel Maya, considerou a “banca tem imensa responsabilidade naquilo que é a reputação” e defendeu que “não só do passado” mas também hoje, referindo que basta abrir o Financial Times para ler ainda hoje notícias de escândalos financeiros em grandes bancos.

“É tempo de fazermos as coisas de forma diferente, estou mais otimista, estamos a passar um período difícil na banca, mas temos todas as condições para afirmar a confiança com os clientes”, afirmou, considerando que a banca conseguirá ganhar valor se “aproveitar este momento para ter proximidade às pessoas”, aos clientes.

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Ministro das Finanças admite que uma recessão na Alemanha “é um risco”

  • ECO e Lusa
  • 26 Setembro 2019

Mário Centeno admite que uma recessão na Alemanha “é um risco” para a economia, mas considera que o país tem "todos os instrumentos" para evitar que a recessão se propague pela Europa.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, admitiu esta quinta-feira que uma recessão na Alemanha “é um risco” para a economia, durante um almoço de trabalho com empresários em Leiria.

“A Alemanha é um risco. A Alemanha é de todos os riscos aquele que é menos político. Olhamos para a situação na Alemanha e vemos algumas dificuldades um pouco mais substanciais do que as do risco político. Mas posso garantir, até como presidente do Eurogrupo, que a Alemanha tem todos os instrumentos para dar a volta por cima e evitar que uma recessão se instale na Europa”, afirmou em resposta a um dos empresários.

Mário Centeno lembrou que foram precisos seis anos para “crescer ininterruptamente na Europa” e em Portugal. “Aumentámos o emprego na Europa em mais de 11 milhões de trabalhadores nos últimos cinco anos. Quando os riscos são políticos temos de apelar aos políticos para os resolverem. É assim no ‘Brexit’, que é uma invenção política, não é um problema da economia”, sublinhou.

O governante acrescentou que a “situação alemã tem também uma dimensão que é política”, pelo que é preciso “apelar também aos políticos alemães e à Europa no seu conjunto para o resolver”.

Sobre o ‘Brexit’, Mário Centeno referiu ainda que, “apesar de ser muito importante em termos de riscos para a economia portuguesa”, todos se têm estado a preparar.

“É também a guerra comercial, que segue o ritmo do telemóvel do presidente dos Estados Unidos da América, mas que no fim do dia prejudica o desenvolvimento da economia internacional. Neste contexto de enormes incertezas que se reflete na desaceleração da Alemanha, a economia portuguesa tem resistido”, revelou.

Ou seja, “Portugal vai crescer um valor muito próximo de 2% em 2019, cumprindo mais uma vez aquilo que era a previsão do Governo no Orçamento do Estado, apesar da desaceleração das grandes economias europeias”, reforçou.

À margem do encontro com os empresários, Mário Centeno não confirmou as palavras do líder do PSD, que referiu que o ministro das Finanças não ficaria toda a legislatura no Governo, caso seja reeleito.

“Ao contrário do dr. Rui Rio, estou mais interessado nos desafios estruturais da economia portuguesa. O dr. Rui Rio ainda não conseguiu atualizar as suas estatísticas com base na informação que o INE divulgou. Garanto-vos uma coisa: o que está para ficar é a sustentabilidade da economia portuguesa, as suas alterações estruturais e a grande revolução que operámos nos números da economia portuguesa. Uma revolução, às vezes, leva tempo, vamos dar-lhe tempo”, rematou.

Eleições: Centeno considera que não é o momento para debate com Joaquim Sarmento

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse também esta quinta-feira, em Leiria, que não é o momento para debater com o porta-voz das Finanças do PSD, Joaquim Sarmento, as contas e os modelos económicos.

Estamos num processo eleitoral, tivemos os debates entre os líderes de cada um dos partidos. Esse é o debate que se espera que exista numa eleição. Todos os outros são feitos entre cabeças-de-lista e candidatos a deputados. Acho que não é desse debate que estamos a falar, portanto não é bem um debate eleitoral”, disse Mário Centeno, à margem de um encontro com empresários na Nerlei – Associação Empresarial de Leiria.

O ministro das Finanças salientou que “contas certas e números é coisa que não tem faltado neste debate”. “As contas que cada um apresentou, cada um tem de as defender. As minhas são muito claras e felizmente certas”, acrescentou.

Mário Centeno lembrou ainda que foi “mais de 100 vezes à Assembleia da República falar de contas certas” e apresentar a visão do PS dessas contas. “Aliás, o INE [Instituto Nacional de Estatística] dá razão a tudo o que temos vindo a dizer ao longo destes anos. O crescimento em 2017, neste momento, está estimado em 3,5. Lembro que no programa que apresentámos em 2015 tínhamos uma estimativa de 3,1%, para o conjunto dos quatro anos tínhamos uma estimativa de crescimento nominal de 17,2%”, disse.

O governante acrescentou que os números que hoje são conhecidos, “ainda provisórios” em 2018 e 2019, demonstram “um crescimento de 17%, sustentado no investimento que cresce 27% ao longo da legislatura: número praticamente idêntico” àquele que foi apresentado.

O presidente do PSD, Rui Rio, desafiou na terça-feira o ministro das Finanças, Mário Centeno, a aceitar debater com o seu porta-voz para as Finanças, Joaquim Sarmento, as contas e modelos económicos dos dois partidos.

Num almoço com empresários em Setúbal, Rio retomou parte dos temas dos debates de segunda-feira com o líder do PS, António Costa, onde ambos trocaram argumentos sobre o melhor modelo económico para o país e discutiram quem tinha “o melhor Centeno” nas finanças.

O líder do PSD saudou, depois, que a Antena 1 tenha convidado Sarmento e Centeno para um debate sobre matéria económica, que o porta-voz social-democrata para as Finanças Públicas já aceitou, e lançou um desafio.

“O professor Joaquim Sarmento já disse que sim. Se o dr. António Costa tem tanta segurança naquilo que foram os números que jogou para cima da mesa, seguramente que o seu Joaquim Sarmento – que se chama Mário Centeno – aceitará debater esses números”, considerou.

Rio defendeu mesmo que, depois de fechado o período de debates políticos, “fazer um ou outro debate técnico também ajuda a uma campanha eleitoral mais elevada”.

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Madeira. Albuquerque diz que PSD “está em condições” de formar governo com o CDS

  • Lusa
  • 26 Setembro 2019

O presidente do PSD/Madeira disse que o partido está em condições de formar governo "com estabilidade" e que "dê confiança à população" em conjunto com o CDS.

O presidente do PSD/Madeira e cabeça de lista às eleições legislativas regionais de domingo, Miguel Albuquerque, disse esta quinta-feira que o partido está em condições de formar governo “no quadro de um entendimento com o CDS”.

Nós informámos o representante da República que temos condições, neste momento, para formar governo, tendo por base um quadro de entendimento com o CDS e, conforme afirmámos diversas vezes, os madeirenses e porto-santenses podem contar com o nosso partido para termos um governo estável e vocacionado para o desenvolvimento integral da região”, disse Miguel Albuquerque, após uma audiência com Ireneu Barreto, no Funchal.

O líder do executivo regional estima que após as eleições legislativas nacionais, agendadas para 6 de outubro, o acordo programático, depois de aprovado nos órgãos partidários, seja ratificado pelos respetivos líderes, após o que PSD e CDS-PP entrarão na fase da constituição do XIII Governo da Madeira.

Um governo com estabilidade, que dê confiança à população e que assegure, durante quatro anos, um acordo de legislatura que, neste momento, está a ser elaborado com o CDS”, acrescentou.

Albuquerque estima que o novo Governo Regional, a anunciar “no devido tempo”, tomará posse após a entrada em funções da nova Assembleia Legislativa.

“Estamos a elaborar um acordo programático, de princípios, de cooperação partidária e parlamentar, porque é fundamental que este documento de base para uma legislatura de quatro anos seja ratificado pelos respetivos órgãos partidários, quer a Comissão Política, quer o Conselho Regional e, depois, assinado pelos dois líderes [partidários]”, explicou.

O PSD venceu as eleições legislativas regionais, mas perdeu a maioria absoluta com que sempre governou a região autónoma, obtendo 56.449 votos, o que lhe permitiu eleger 21 deputados.

O PS alcançou 51.207 votos e elegeu 19 deputados, enquanto o CDS-PP obteve 8.246 votos e elegeu três parlamentares. O mesmo número de deputados alcançou o partido Juntos pelo Povo, que reuniu 7.830 votos. A CDU obteve 2.577 votos e um deputado.

PSD e CDS-PP juntos somam 24 deputados, número necessário para uma maioria absoluta no parlamento regional, que tem um total de 47 parlamentares. A abstenção cifrou-se em 44,40%.

O edital da Assembleia de Apuramento Geral das eleições legislativas da Madeira, afixado na segunda-feira, manteve a distribuição dos mandatos.

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Dívidas dos hospitais a fornecedores cresceram 103,1 milhões até agosto

O Governo planeia pagar 445 milhões de euros de dívidas a fornecedores este ano. As injeções de capital já começaram, mas os hospitais estão a acumular pagamentos em atraso.

As dívidas dos hospitais a fornecedores atingiram 586,9 milhões de euros em agosto, aumentando pelo segundo mês seguido, e fixando-se num valor que fica 103,1 milhões de euros acima daquele com que fechou o ano passado. Este agravamento acontece apesar de o Governo ter em curso um plano de redução das dívidas.

Os valores dos pagamentos em atraso dos hospitais foram atualizados esta quinta-feira no Boletim de Execução Orçamental publicado pela Direção-Geral do Orçamento (DGO). O boletim mostrou que o Governo conseguiu um excedente nas contas públicas de 402 milhões de euros em agosto, o que segundo as Finanças foi a primeira vez que aconteceu.

Face aos primeiros oito meses do ano passado, os pagamentos em atraso recuaram 186,1 milhões de euros, mas as dívidas aos hospitais têm crescido desde o final do ano passado, quando se verificou uma correção em baixa. 2018 fechou com dívidas no valor de 483,8 milhões de euros e ao longo dos oito meses de 2019 já houve descidas e subidas.

Só em julho e agosto, observou-se um aumento de 106,5 milhões nas dívidas dos hospitais.

Este agravamento acontece apesar dos reforços de capital que o Governo tem feito no âmbito de um programa para regularizar dívidas. Em maio, o Ministério da Saúde anunciou que parte da dívida dos hospitais — que conta também com uma dívida entre setores — “está a ser saldada desde o início do ano, na sequência de uma injeção de 282 milhões de euros, distribuída ao longo de sete meses”.

Este reforço faz parte do plano a cinco anos que prevê o pagamento de 445 milhões de euros este ano a fornecedores externos dos hospitais EPE que pertencem ao Serviço Nacional de Saúde.

 

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Costa responde a Rio sobre Tancos: “Os meus princípios não mudam de dois em dois dias”

O primeiro-ministro já respondeu às dúvidas de Rui Rio sobre Tancos, dizendo que a Justiça nunca lhe colocou qualquer questão. Condenou ainda os "julgamentos morais" de Rio.

Numa altura em que são conhecidas as acusações no caso de Tancos, Rui Rio diz que “é pouco crível” que António Costa não tivesse conhecimento da encenação da recuperação do material roubado. Poucos minutos depois, Costa respondeu dizendo que os seus princípios “não mudam de dois em dois dias”, numa referência às declarações do presidente do PSD, no início da semana, de “não fazer julgamentos na praça pública”.

“Ao longo dos dois anos, a Justiça nunca me colocou qualquer questão, e se tivesse alguma dúvida tê-lo-ia feito“, apontou ainda o primeiro-ministro, em declarações aos jornalistas, sem direito a perguntas. “O que é da Justiça à Justiça e o que é da política à política”, disse Costa.

Condenando a atitude do presidente do PSD, o primeiro-ministro disse que não lhe conhece “autoridade para fazer julgamentos morais”. “Rio não me atingiu, atingiu a dignidade desta campanha eleitoral”, atirou ainda Costa.

Tendo em conta as informações que têm sido conhecidas, o presidente do PSD admite que há razão para convocar uma reunião no Parlamento, apesar de os trabalhos estarem suspensos, devido às eleições, em declarações transmitidas pelas televisões.

“O ministro da Defesa articula-se com um deputado e não avisa o primeiro-ministro?“, questiona Rio, referindo-se aos às provas recolhidas pelo Ministério Público que apontam para que o ex-governante tenha enviado um SMS a um deputado do PS, Tiago Barbosa Ribeiro, revelando que sabia que o material ia ser recuperado.

Ainda ponderando sobre o que Costa terá sabido ou não, o presidente do PSD defende que “só há duas possibilidades: ou sabe ou não sabe, e ambas são muito más porque, mesmo que não saiba, um Governo não pode funcionar assim“. “O que é politicamente relevante em todos os ministérios tem de ser articulado”, reitera.

Já quando questionado sobre o envolvimento do Presidente da República, Rio diz acreditar que houve uma “encenação por parte do Governo” para que saíssem notícias de forma a criar “uma cortina de fumo”. Ponderando a situação, o líder do PSD considera que há “razão para convocar a comissão permanente”, que funciona mesmo quando os trabalhos no Parlamento estão suspensos.

(Notícia atualizada às 18h55)

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Mais de metade do capital do Zmar Eco Camping vendido em leilão por 2,62 milhões. Ficou 19% abaixo do valor base

As ações correspondentes a mais de metade do capital do parque de glamping em Odemira foram vendidas em leilão esta quinta-feira por 2,62 milhões de euros.

As ações correspondentes a 56,6% do parque Zmar Eco Camping, na Zambujeira do Mar, foram vendidas em leilão esta quinta-feira por 2,62 milhões de euros, de acordo com o site da leiloeira Leilosoc. Foram recebidas três propostas, acabando a licitação final por ficar 19% abaixo do valor base.

As ações foram colocadas à venda pela Cravex, com um valor base de 3.249.326 euros, mas acabaram arrematadas por 2.619.461 euros.

Fonte da leiloeira adiantou à Lusa que o processo só seria “considerado adjudicado” se o valor base de licitação tivesse sido superado no leilão. Dado que a oferta final “ficou abaixo” dos 3,2 milhões de euros, “a decisão não é tomada hoje, porque será colocada à consideração dos credores”.

De acordo com o site da leiloeira, em causa estavam 5.801.501 ações emitidas pela empresa “Multiparques a Céu Aberto, Campismo e Caravanismo em Parques”, que explora o parque de campismo e caravanismo, com o valor nominal de um euro cada, “representadas por um título” e “depositadas numa conta de títulos no Novo Banco”.

Ainda segundo a Leilosoc, a Cravex tem a decorrer um processo de insolvência no Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal e uma fonte do Zmar Eco Camping adiantou à Lusa que o leilão aconteceu devido “a uma possível mudança de um acionista” da sociedade Multiparques a Céu Aberto. Contudo, a mesma fonte indicou que o processo não está relacionado com uma possível insolvência daquele parque.

O complexo turístico, inaugurado em junho de 2009 na Herdade A-de-Mateus, em Odemira, tem uma área total de 81 hectares e inclui um Eco-Hotel, espaços para tendas e caravanas, um parque aquático com uma piscina descoberta e outra coberta, zona desportiva, restaurante e bar.

Foi construído com materiais 100% recicláveis e tem capacidade para mais de 1.500 pessoas. Dispõe ainda de um restaurante, cozinha e supermercado, um parque infantil de cinco hectares, uma quinta pedagógica com animais e um observatório.

O parque de campismo foi distinguido com vários prémios de turismo e sustentabilidade, tendo sido classificado como projeto de Potencial Interesse Nacional (PIN), implicando um investimento de “cerca de 25 milhões de euros”.

(Notícia atualizada às 18h22 com mais informação)

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Acionistas apoiam administração. Novabase vai avançar com plano estratégico e aumento de capital

Assembleia extraordinária de acionistas aconteceu esta quinta-feira. Proposta de plano estratégico tinha a oposição do terceiro maior acionista, a empresa do ramo de gestão de ativos IBIM2.

O novo plano estratégico da Novabase foi aprovado pelos acionistas, apesar da oposição do terceiro maior acionista, a empresa do ramo de gestão de ativos IBIM2. Na assembleia-geral extraordinária realizada esta quinta-feira, os acionistas da tecnológica deram luz verde à conversão de reservas em capital e ao aumento do número de administradores.

Todas as propostas que tinham sido feitas pela administração foram aprovadas, segundo comunicou a empresa à CMVM. O plano estratégico prevê uma série de alterações que pretendem “garantir flexibilidade para otimizar a alocação dos recursos financeiros disponíveis”, na perspetiva da Novabase. Propõe o uso de reservas e resultados transitados no valor de 11,3 milhões de euros para pagar dividendos extraordinários correspondentes a 36 cêntimos por ação.

Ao mesmo que pretende avançar com a distribuição de reservas, a Novabase vai mexer no seu capital social. Vai realizar uma redução de capital em 4.396.195,16 euros, com a atribuição aos acionistas de 0,14 euros por ação. Ou seja, no total, os acionistas vão receber 50 cêntimos por cada ação.

Segue-se um aumento de capital por incorporação de prémios de emissão no montante de 43.333.923,72 euros, levando o capital social da Novabase para 54.638.425,56 euros. As ações passam a ter um valor nominal de 1,74 euros, sendo que a parte do capital que está dispersa em bolsa está a cotar no PSI Geral nos 2,85 euros. A tecnológica vai também lançar um programa de recompra de ações próprias, no montante de 10 milhões de euros.

Em simultâneo, os acionistas deram ainda o ok à administração para a “possível implementação” de um plano de médio ou longo prazo em que atribui uma “remuneração variável aos membros do Conselho de Administração da sociedade e a colaboradores da Novabase ou de outras sociedades do grupo Novabase, tendo como base a performance das ações da Novabase“.

Mais um administrador, mas não vem da IBIM2

A Novabase é detida em mais de 40% pelos fundadores e gestores da empresa José Oom Ferreira de Sousa, Luís Paulo Salvado, Álvaro Ferreira e João Silva Bento. O segundo maior acionista (com 10,13% do capital) é a Partbleu de Miguel Pais do Amaral e o terceiro maior (com 10,01%) é a empresa de gestão de ativos IBIM2.

É este o acionista que estava contra todo o plano, tendo enviado recentemente uma carta aos restantes acionistas em que acusava a gestão de ir contra os interesses dos acionistas. Além de criticar o aumento de capital, criticava o número de administradores.

Mas por pretender ter maior representação na administração, a IBIM2 pediu a inclusão na ordem de trabalhos da AG de um ponto para que se votasse José Sancho García como novo membro do Conselho de Administração.

No entanto, os participantes da assembleia ficaram do lado da administração. Os acionistas aprovaram a eleição de Paulo Jorge de Barros Pires Trigo como novo membro do Conselho de Administração da Sociedade, para completar o mandato correspondente ao triénio 2018-2020, alterando-se assim a composição do Conselho de Administração, de oito para nove membros. Em sentido contrário, a única proposta rejeitada foi a deliberação respeitante à eleição de José Sancho García como novo membro do Conselho de Administração.

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